Arquivo: Edição de 10-02-2006

SECÇÃO: Região

Em Memória da D. Aurora

De nome completo, Aurora Zulmira Leandro de Lemos Ferreira, esta Senhora espalhou vida, arte, alegria e dinamismo, particularmente nas comunidades eclesiais de Azurém, S. Dâmaso e Nossa Senhora da Oliveira, além de deixar na memória de centenas de alunos o exemplo de dedicação e amor.

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Como mulher viúva nos últimos vinte e cinco anos de vida, ela foi muito importante para a criação e desenvolvimento do Movimento, Esperança e Vida.
Partiu para o Pai em 10 de Janeiro deste ano, provada também por longo sofrimento que aceitou com belos sentimentos cristãos e acompanhado do carinho e dedicação de todas as pessoas que fazem do Lar de Santo António a expressão de Amor ao Próximo.
Associamo-nos à dor dos seus familiares bem manifestos nas palavras da filha Madalena.

“O passado e o Futuro em sentimentos”
Ultimamente tenho ido a um lugar onde raramente tinha estado antes: o futuro.
E porquê?!
Pela busca de encontrar a beleza na alma de tantos corpos.
É bom, de vez em quando, fugir da realidade, da vida, do stress, da agitação e atropelo em que passamos nos nossos dias e noites, pois mesmo o sono, nem sempre reparador e sossegado, surge-nos turbulento, cheio de sonhos esquisitos e sem fim, de autênticos pesadelos…
Daí a minha divagação pelo imaginário futuro!…
A liberdade de pensamentos leva-me para lugares onde a extrema delicadeza, os olhares límpidos e transparentes nos mostram o que há de bom e puro na alma de quem nos toca, mesmo sem tocar fisicamente; é algo parecido com a inocência da nossa infância. Era tão bom ter aquele carinho do meu Pai, sentir a sua protecção e preocupação, quando, pequenina e travêssa que era, fazia das minhas diabruras uma chamada de atenção para que aqueles seus olhos ternurentos me beijassem com tanta meiguice…
Sempre fui acarinhada e sempre retribui esses mimos; por vezes, mesmo sem ter necessidade de falar, lá estava aquele seu lindo sorriso, saciando a minha sede de ternura.

A Saudade é por vezes uma enorme dor, outras uma fonte inesgotável de recordações, que, de tão presentes, parecem reais. Talvez por tudo isto, por toda esta mistura de pensamnetos, as palavras me saiam do coração, dando lugar à necessidade de irromper e florescer os sentimentos em relação a alguém que, Deus sabe quando, mas que pela sua idade avançada e estado débil, um dia dará parte desse lugar chamado futuro. falo agora da minha Mãe! Quanto a visito, temo que seja aquela a Última vez…
Vejo aquele rostinho cada dia que passa mais consumido pelo tempo, as suas finas mãos, pequeninas quase transparentes, acariciam-me de leve, como um fino lenço de seda em despedida…
Existe em nós tal cumplicidade, que eu sei que por vezes os nossos olhares falam mais de mil palavras!… O meu amor pela minha mães é intenso, cheio de pequenos e grandes momentos que nos completam. Tenho nela um orgulho enorme, por vezes nem sempre foi uma mãe presente, tinha muitos afazeres e dedicou-se muito à sociedade em geral; mas, eu mesma não a julgo, pois sempre que posso e a visito, deixo o meu marido e filhos… Ela sempre soube que podia contar comigo e isso é o tal elo que falta em ocasiões chave, em certos lares, mesmo infelizmente em muitas famílias!
Eu sei que por muito que faça nunca será o suficiente para compensar a vida que saiu do seu ventre, do meu ser!
É! aqui que entra a continuidade, os nossos queridos filhos, o prolongamento dessa árvore genealógica cujo tronco forte se ramifica harmoniosamente para o Céu, para aquela luz forte que orienta as nossas vidas… para aquele chamamento de fé que nos consola nos maus momentos, bem como nos faz sentir a euforia do prazer, da vida, da família e de, apesar de tudo, do Seu querer… concluindo, eu sei que, inevitavelmente, chegará o dia em que a Mãe irá fazer companhia ao Vicente, seu marido, nosso Pai. Há muitos anos, por amor, ela atravessou o Atlântico, houve naturais “acidentes de percurso”, houve os seus filhos, mas a sua viagem após estes anos terá o seu termo no Céu!
Finalmente, os dois irão viver juntos para toda a Eternidade!…
É agora que de novo eu invoco o nome de Deus, para nos dar forças e coragem para mais esta etapa das nossas vidas!
É chegada a hora de encarar a dor da revolta, da incompreensão da saudade já tão presente…
Mas, também é chegado o momento de ver os amigos que nos acompanham, que estão irmanados pelo sentimento de perda que os familiares mais próximos sentem. É o tempo exacto de agradecer a todos Vós pelo carinho e amizade que sempre, mais ou menos frequente, mas sempre verdadeiro, acompanharam a sua prolongada doença. Entre tantos e tantas amigas, eu sei e elas também sabem, pois o coração não mente, que a minha mãe sentia toda essa ternura e no seu enorme coração ficará eternamente essa alegria e dedicação manifestada de parte a parte.
Perdoem se não falo em alguém em especial, em particular… e entendam numa sentida reflexão a intensidade do meu reconhecimento, do meu muito e muito obrigado!
É com orgulho, de todo este amor, de todo este mesmo sentimento, que eu e os meus irmãos partilhamos este testemunho.

Até sempre queridos Pais!

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