Arquivo: Edição de 18-04-2019

SECÇÃO: Generalidades

COISAS SIMPLES, OU NÃO! (73)

Caranguejos portugueses

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Conta-se que um pescador, em devido local, apanhava caranguejos e conforme os ia apanhando, deitava-os para um balde. Um curioso, ao passar junto do pescador e do balde, aconselhou-o a que colocasse no balde a tampa, para os crustáceos não subirem pelo balde acima e fugirem. O pescador, sorrindo para o passante/conselheiro, disse-lhe: “não se preocupe. São caranguejos portugueses. Quando um deles tentar subir, os outros encarregam-se de o descer”.
Esta coisa simples, esta ingénua história, faz-nos lembrar, com certeza, tantas histórias que conhecemos na vida real dos homens ou de muitos homens. Sabe-se que o mundo mau existe, mas sabemos também que, se o mau não existisse, como distinguíamos o bom? Há muita gente invejosa, gananciosa e até o mal são capazes de praticar por inveja, fazendo descer seja quem for, principalmente se os que sobem ou pretendem subir, os estorva.
Homens existem que são capazes de, por inveja, fazerem descer dos palcos, aqueles que têm o dom de fazer rir, de alertarem para casos sérios da vida. Há aqueles que sendo bons profissionais nas artes, na poesia, na pintura, no comércio, na industria, no mar ou na agricultura, logo surgem os maldizentes, os bota-abaixo da competência. Existem aqueles que sendo competentes no ensino, na psicologia, na filosofia, na medicina, etc., logo têm falsos amigos que se encarregam de os fazer descer, usando tudo que tiverem ao alcance, para o derrube. Até na política, surgem bons estadistas, homens inteligentes e preocupados pela distribuição do bem-comum e, logo os invejosos e/ou incompetentes, montam as máquinas da descida: maldizendo, debilitando, dispersando, dispensando, perseguindo, denegrindo, preparando armadilhas, para que – podendo - ocupem os lugares que não merecem.
Em Portugal, os caranguejos que não deixam subir os caranguejos sérios e competentes na vida, são às resmas, tantos como as areias da praia. De todos, os que mais me entristecem, os que mais dor me causam, é porque são caranguejos que vivem permanentemente com medo, amarrados, garroteados e, de tudo são capazes para lançar os outros nas valetas – porque têm medo, têm medo da sua própria incompetência. E o que arrasa ainda mais, nesses profissionais da descida da vida dos outros, é saber-se que a grande maioria se dizem cristãos, católicos e praticantes.
Cristo, veio para servir, ensinou o amor, ensinou a elevar o homem e, por inveja, foi levado a Pilatos e à Cruz. Estamos em tempos de Páscoa: então, sejamos elevadores e não caranguejos portugueses.

(P.S. O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico)

Por: Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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