Arquivo: Edição de 22-02-2019

SECÇÃO: Generalidades

COISAS SIMPLES, OU NÃO! (72)

Serviços e contractos

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Conta-se que um Rei, certo dia, resolveu ir pescar no rio que lhe atravessava os seus terrenos. Que perguntou ao seu meteorologista se ia chover nas próximas horas, para se vestir de harmonia com o tempo. O meteorólogo garantiu ao Rei que não iria chover. Meteu-se ao caminho o Rei e ao cruzar-se com um homem de meia idade, este avisou o seu senhor, dizendo-lhe: Majestade, deve regressar de imediato a casa, pois vai chover torrencialmente, dentro de poucas horas. Mas o Rei, acreditando mais no seu meteorologista, seguiu em frente.
Na verdade, choveu muito e a namorada do Rei, sorrindo maliciosamente por ver que o seu senhor estava todo encharcado, fez com que o Rei convidasse o desconhecido aldeão, para substituir o outro meteorólogo. Mas o aldeão, não aceitou o contracto, justificando que não tinha grande jeito para isso, mas que quando o Rei visse que o seu burro tivesse as orelhas caídas, é porque iria chover. Então o Rei, contractou o burro.
Realmente, vivemos nuns tempos difíceis, quanto ao saber, quanto às competências e quanto ao empenho que os profissionais têm, para exercerem – minimamente bem – os trabalhos para que são contratados. Há engenheiros e doutores por todos os lados, com as mais variadas especialidades, com os mais variados canudos académicos. Contractados para exercerem a profissão de que “provam” ter conhecimentos, verifica-se que nada sabem e, tantos, até erros dão a escrever. É verdade que estes meteorólogos, nem a vida conhecem, nem o pão amassado e cozido com o suor do padeiro e do agricultor entendem. O valor do saber não os excita, logo, o valor das coisas não lhes ocupa tempo e, quem quiser que faça melhor.
Os burros são os mais contractados. Basta que saibam falar muito, embora não saibam o que dizem; basta que tenham uma boa cunha e ganham o emprego; basta que sejam bajuladores para quem lhes paga e são acarinhados. Esta gente nunca sabe quando chove. Só os dedicados, os competentes, os verdadeiramente responsáveis têm o cuidado de ler o tempo. Mas estes, tantas vezes não são apreciados, porque são exigentes e, por isso, estorvam o mundo cansado, baralhado e oco.

(P.S. O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico)

Por: Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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