Arquivo: Edição de 18-01-2019

SECÇÃO: Região

O Sabidolas

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Rita Ribeiro da Silva, a Ritinha da Câmara, como ficou caraterizada pelos conhecidos e amigos, apresentou, em 21 de dezembro passado, mais uma obra, o Sabidolas. Este livro pode bem ser visto como um condimento de outro publicado em 2012. “A minha Praça de Santiago”: o tempo e o espaço dão, assim, mais vida às memórias de uma mulher que encarnou as virtudes do vimaranensismo.
Ficam aqui as suas palavras de Apresentação como projeto realizado ao longo de muitos anos da sua vida “Os meus contos são retalhos de memórias, de conversas, de observação, de atenção, de gostar de ouvir e de gostar de pessoas. São trazidos da minha proximidade com o quotidiano de gentes de vários extractos sociais – quer do meio urbano, quer rural. Comecei a gostar de observar a partir da varanda de minha casa quando, à tardinha, o nosso pai nos mostrava diferentes animais, perfis de pessoas, mares e florestas que as nuvens formavam – diferentes tons de cinza com o azul do céu faziam o mar e florestas em fogo quando o sol Poente se tingia quase de sangue.
São recortes de vidas próprias e episódios por mim vividos que se ligam por elos de ficção. Aqui, os sonhos podem não ser sonhos mas vivências ficcionadas.
Os transportes públicos são uma fonte de saberes a começar pelo condutor passando pelo idoso que nos parece um pacato homem da periferia ou de uma aldeia remota, e nos surpreende com a sua filosofia e sabedoria de experiência vivida.
Ao contrário dos letrados que vivem do seu conhecimento, os incultos vivem do seu trabalho braçal. Os vizinhos, pobres e humildes trabalhadores, também têm a sua dose de saber e também têm sonhos que, se pudermos, devemos ajudar a concretizá-los. Aprendi com todos eles.”
Na forma poética a autora encontrou caminho para dar mais beleza e sentimento à obra. Ficamos com as últimas estrofes, que também encerram o livro, de À PENHA,
“Promessas, procissões, peregrinações,
Casamentos, baptizados, comunhões,
Despedidas de solteiro e eventos raros
Tu testemunhaste
E os seus nomes e histórias guardaste.
Agora, de branco só
O cimento que por ti sobe
Como erva daninha sugando o teu solo nobre.

Já não te alcanço subindo
A chorar, rir ou rezando
Saudades caminho lindo
que outros peregrinando
renovam na mesma fé
És tu, Ó Penha, a montanha
Desta saudade tamanha.”

L.C.

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