Arquivo: Edição de 30-10-2015

SECÇÃO: Generalidades

COISAS SIMPLES, OU NÃO! (44)

VIVER COM SABEDORIA

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Diz o povo que nem todos sabem tudo, mas todos sabem alguma coisa.
Salvo as devidas exceções, assim é. Durante os dias que passam bem como os anos, concluímos pelas circunstâncias da vida que há pessoas na família, na rua ou na cidade que são na verdade sabedoras, outras nem por isso e ainda outras, nada sabem. Logo, o homem culto, caracteriza-se pela procura do saber, da exactidão em tudo que lhe é possível, até ao ponto em que a natureza do assunto o permita.

Quem muito sabe e ensina, faz o que deve e nunca terá o direito de ser enciclopédia fechada a enterrar. Os que pouco sabem, não terão nunca o direito de parar de saber mais, sobretudo no que respeita à sã convivência entre os outros. Os que nada sabem poderão estar mortos, indiferentes, apáticos.

Não se sabendo ou sabendo-se pouco, o ideal será ter um telefone à mão e perguntar a quem sabe, uma vez que o homem é uma fonte de perguntas em que durante toda a sua existência procura pequenas ou grandes respostas. E desistir de saber ou de aprender, tanto pode ser burrice como comodismo.

Na vida qualquer pessoa tem possibilidades de ser herói ou cobarde. Errar também.
O que importa ao errar é assumir, responsabilizar-se e indemnizar se for o caso.
Tal atitude pressupõe ter humildade, personalidade e, como não podia deixar de ser, saber. É que a vida é muito longa para errar, sofrer e esperar, mas brevíssima para se viver.

No erro, o uso da humildade e da personalidade, são normais. Mas a seriedade e o saber, adquirem-se a partir do berço, alimentam-se, regam-se e adubam-se eternamente. E se errar é humano e tudo pode ser resolvido através das atitudes atrás mencionadas, será atitude cobarde ficar-se indiferente ao erro ou arranjar culpados para nos substituir.

Se aquele que erra errar muitas vezes, pode ter a certeza de que homem inútil nunca será, pois os outros, à custa dele sempre aprenderão.

A verdade é que o mundo actual precisa de sabedores, motivados e capazes de servirem a comunidade. Mas, neste início do século não há chefes ou líderes de jeito.
Pouco se sabe executar. Podem ser cepos até, mas desde que usem graxa e escova serão chefes rapidamente.

Teremos de aprender a viver com sabedoria, com rectidão e sobretudo com seriedade. Quem sabe, sabe e quem não sabe que saiba. A vida tem de ser vivida segundo o que temos, somos ou sabemos. E finalmente uma verdade absoluta: seja como for a vida vivida, ninguém sairá vivo dela.

(P.S. Por decisão pessoal, o autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico)

Por: Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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