Arquivo: Edição de 30-10-2015

SECÇÃO: Generalidades

Família: Nem a cores nem a preto e branco

Perguntar nas ruas das cidades ou nos encontros de café de muitas aldeias sobre o que aconteceu no Vaticano no mês de outubro ia levar, por certo, a considerações sobre o Papa Francisco, sobre a proximidade que cria com todos os que se cruza, tanto na Praça de São Pedro como nos bairros onde decide parar inesperadamente. As referências ao Sínodo dos Bispos sobre a Família apenas se encontrariam se o ambiente da sondagem mudasse para os adros das igrejas, com respostas a referir a sua realização em percentagens não muito elevadas.
O que a Igreja Católica sugere para “ser família” é frequentemente desconsiderado. Não por ser desprezado, mas desconhecido, não experimentado. Por outro lado, o anonimato de muitos percursos familiares e os requisitos necessários para se abeirarem de ambientes eclesiásticos e, por consequência, do “Evangelho da Família”, é também um dado a fixar.
Diante de uma dupla distância – das famílias em relação ao que a Igreja Católica propõe e da Igreja diante dos percursos de muitas delas -, foram surgindo pontes, em determinados setores da pastoral eclesial, que o Sínodo dos Bispos tenta consolidar. E estará nessa possibilidade a nova era que o caminho sinodal em curso vai inaugurar, mesmo sem sabermos que direção vai tomar para lá chegar.
D. José Ornelas Carvalho, ordenado bispo para a Diocese de Setúbal no dia em que o Papa conclui o Sínodo dos Bispos, considera que são necessárias “orientações unitárias” para “manifestações diferentes” da vida em família e elege o acolhimento como atitude principal para que exista um acompanhamento de todas as pessoas em ordem à “inserção na comunhão e na vida da comunidade eclesial”.
Para aproximar o quotidiano familiar e a proposta que a Igreja lhe quer fazer chegar pode ser útil deixar a paleta que olha a família com todas as cores, por um lado, e a que apenas conhece o preto e branco, por outro. Pelo meio há uma escala sem fim de tons a determinar a realidade familiar, de cada pessoa, de cada casal. E todos são naturalmente diferentes!
 
Paulo Rocha
(A. Ecclesia)

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