Arquivo: Edição de 22-02-2013

SECÇÃO: Generalidades

Dia dos Namorados

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Há anos, escrevi uns versos a pedido de uma esposa que, com eles, queria homenagear o marido no dia em que celebrava as suas Bodas de Ouro. Fi-lo com imensa ternura, e ainda hoje, quando os leio, salta-me uma lágrima de emoção.
Neste ano, no Dia dos Namorados – sim, porque eu festejo todos os anos esse dia - li-os para a minha mulher, minha namorada de há 52 anos, porque o poema é um hino ao Amor.
E porque pode muito bem ser dirigido ao marido ou à esposa, fiz questão de reproduzir aqui esse poema:

HINO AO AMOR

Há muito tempo já, à luz da Lua,
Prometeste ser meu, e eu ser tua,
E nas asas do sonho que então tinha,
Imaginei-te rei, e eu rainha,
De um reino pequenino que era o lar.

Resolvemos, então, ao pé do altar,
O sonho em juramento transformar;
E ao ver-te, nesse dia,
Julguei que havia
- Não sei se era verdade ou fantasia -
Uma coroa real na tua fronte!

Esse reino,
(Que há que aqui se conte?)
Não abarcava, é certo, o horizonte,
Cabia inteirinho sob um tecto,
Mas existia nele tanto afecto
Que mais amores hav’ria de gerar.
E a casinha cresceu, filhos vieram,
E a coroa desse reino imaginário
Guardaste-a certamente num armário
Ao notar que, perante esses amores,
Vassalo eras tu, eles senhores.

Tudo mudou.
Calaram desde então
Os arroubos ardentes da paixão,
Para fulgir somente, acrisolado,
Um AMOR bem diferente, insuspeitado,
Que não se afirma, jura ou apregoa,
Mas que inebria a alma e que ressoa,
Música de silêncio ao ter-te ao lado,
Vendo o tempo passar, meu namorado,
Meu querido e doce companheiro:
Se a tristeza me invade, és quem, primeiro,
Me sussurra a palavra que alivia,
Que convence, assegura e anuncia
Que amanhã é decerto um novo dia.
É teu amor que dá essa ciência
Que te deixa sorrir e ter paciência
Quando a minha há muito se esgotou.
Dos idosos que herdaste, enfermeiro,
Dos filhos que nasceram, companheiro,
Dou graças ao Senhor que se lembrou
De uma tarde cruzar nossos caminhos.

Que se cumpra o que o Padre um dia disse
Ao pedir para nós longa velhice,
Envolvidos no amor, na paz, no afecto
Dos filhos dos teus filhos, nossos netos.

Bem busquei uma prenda para ti,
Mas bem olhei à volta e nada vi
(Se não dura uma vida então não presta).
Se assim é, uma coisa só me resta:
Lembrar-te que sou tua e sou só tua
Sem precisar aqui da luz da Lua:
meu rei, meu companheiro,
meu enfermeiro,
meu AMOR.

Fernando José Teixeira
14 de Fevereiro de 2013

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