Arquivo: Edição de 16-05-2008

SECÇÃO: Região

VI - O “Cruzeiro do fiado”, no Toural

Escreveu o Padre Torquato de AZEVEDO, em 1629, que “da parte entre norte e poente, em competencia do chafariz, está um cruzeiro de pedra, majestoso, elevado sobre escadas, e na pedra do pedestal da cruz tem um letreiro que diz: ‘Esta obra foi mandada fazer pelo juiz e Irmandade de Nossa Senhora do Rosário em 1650”, para aí ir com as suas procissões”.
Esse cruzeiro é conhecido pelo nome de cruzeiro do fiado porque nas suas escadas se mercadejava o fiado de linho. No decurso do processo de renovação do Toural, que transformaria esta praça num jardim fechado, o cruzeiro do fiado foi apeado em 25 de Novembro de 1874, por mandado da Câmara, depois de obtido o consentimento da Irmandade, mediante a cedência de seis sepulturas no cemitério da Atouguia que estava sendo construído.

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Diz João Lopes de FARIA que, durante a remoção, os operários deixaram cair e quebrar em pedaços a grande coluna do cruzeiro, que era inteiriça e igual às da frente da igreja da Misericórdia, com base e capitel também iguais. Era opinião corrente que alguém encomendara o desastre aos pedreiros, para que o cruzeiro não fosse usado em qualquer outro local. Mas a verdade é que a sua demolição não levou ao desaparecimento do monumento: lê-se nas “Lembranças do Padre CALDAS” (manuscrito da Ordem de S. Francisco), que em 14 de Agosto de 1880, para as obras que decorriam na montanha da Penha, tinham obtido umas pedras do antigo claustro do convento de S. Domingos e “o pedestal e cruz do antigo cruzeiro da Senhora do Rozario, ultimamente apeado do Toural”.
Outros bocados do cruzeiro encontram-se no Museu da Sociedade Martins Sarmento. Refere o seu catálogo, em nota ao nº 159 do inventário, “um formoso capitel coríntio e parte do fuste (este último junto ao muro de vedação do jardim do Museu), que pertenceram à coluna em que assentava um cruzeiro, no antigo local do Fiado…”.
Quanto ao fuste, que tem o nº 175 de inventário, diz o catálogo: “fragmento do fuste de uma coluna canelada, talvez pertencente a qualquer igreja demolida em Guimarães. Desconhecida a sua proveniência e data de entrada no Museu”. É curioso que aqui dê como desconhecida a sua proveniência, quando noutro lugar se garante, como vimos, pertencer à coluna em que assentava o “cruzeiro do fiado”.
Tudo leva a crer que este fuste pertença, efectivamente, à coluna que suportava o cruzeiro do Toural, pois, se atendermos à informação fornecida por João Lopes de FARIA, atrás transcrita, que a dizia “igual às da frente da igreja da Misericórdia”, constatamos facilmente que existe essa semelhança no fuste guardado na Sociedade Martins Sarmento

Fernando José Teixeira
29 de Abril de 2008

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