Arquivo: Edição de 11-04-2008

SECÇÃO: Generalidades

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159.° – Substituição da Era de César pela Era de Cristo
A Cronologia Histórica dos acontecimentos da hegemonia romana no Mundo ficou marcada no Ocidente Peninsular pela chamada “Era de César”.
Nesta zona mais setentrional do Império, tal denominação também foi conhecida por “Era Hispânica, Satarense (como diziam os Árabes), Gótica, de Augusto ou de César”.
Em Portugal vigorou até ao primeiro quartel do Século XV, mais propriamente até 22 de Agosto de 1422 (ano correspondente a 1460 da Era de César), quando por carta Régia da Chancelaria de D.João I, se ordenou que daí em diante se passasse a usar o ano do Nascimento de Cristo (Era Cristã).
A “Era de César”, cujo primeiro ano correspondia ao ano 38 a.C., relacionava-se com a adopção do Calendário Juliano (45 a.C.) e a provável introdução do mesmo na Península (38 a.C.?), depois de concluída a Conquista Romana.

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Roma vivia um período áureo da sua História Multissecular.
O mais belo monumento literário levantado à Glória de Roma ficou descrito pela pena notável de Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.) nos seus 142 livros, de que chegaram 35 até nós (Ab Urbe Condita Libri).
Cultor eivado de um patriotismo majestoso à imitação de Cícero, após deixar a sua Pádua, terra de origem na Gália Cisalpina e, ingressando, jovem ainda, em Roma, concluídos os seus estudos de Retórica, pretendeu erguer bem alto o nome da sua Pátria personificada na Roma Augusta e, não pondo de parte, é certo, algum prurido de imaginação da mitologia clássica, Tito Lívio deu-nos, porém, a certeza de que o seu pudor de homem das letras e da Oratória, timbrou sempre pela objectividade e crítica dos documentos a que se socorreu e legou à Humanidade.
Ao enaltecer no seu estro patriótico o valor da Urbe que o amou com amplexos de verdadeira mãe, e o modo como lhe prodigalizou o afecto, não nos pode admirar, tal a emulação e tal o amor que quase toda a vida de 76 anos lhe consagrou, no estudo e análise dos monumentos e acervos literários e artísticos.
Compreendemos os acontecimentos nesse tempo, repassados dos valores épicos e heróicos de Roma, a começar com Augusto, Júlio César e toda a plêiade imperial subsequente, que quase levou à penumbra a datação cronográfica dos antigos Anais da Alba-Longa, fundada por Ascânio, filho de Eneias, pois eram já decorridos 666 anos a.C. como descreve a velha História da Guerra dos Horácios e Curiácios, dado que outros valores maiores agora se levantavam para se ufanarem os romanos heróis do presente; por conseguinte, seria um Calendário novo a assinalar os vultos e os eventos da actualidade com o Calendário de Juliano: aí, na verdade se iniciava uma Idade Nova, o ano 45 a.C.
Também, o rei D.João I, Mestre de Avis, após os grandiosos feitos das batalhas empreendidas contra o domínio castelhano em Portugal concebeu criar uma nova cronografia no Calendário Cristão a que chamou a Sétima Idade do Mundo, atribuindo à intervenção da Providência Divina o êxito das suas vitórias.
Reza assim a Crónica de Fernão Lopes, cronista do Reino: “a história do mundo divide-se em 6 idades. Com os feitos do Mestre começou uma sétima idade do mundo, na qual se levantou outro mundo novo e nova geração de gentes, porque filhos de homens de tão baixa condição que é melhor nem dizer nesse tempo foram feitos cavaleiros, chamando-se logo de novas linhagens e apelidos”.
E ao terminar da crónica, o grande historiador Fernão Lopes afirma “que esta idade que dizemos se começou nos feitos do Mestre, a qual, pela Era de César per que esta crónica é compilada, há agora 60 anos que dura”.
Se ao ano de 1460 subtrairmos os 38 anos da Era de César em que foi implantada no Ocidente Peninsular, o ano de 1422 assinala rigorosamente a contagem cronológica da Era de Cristo; assim, é a partir desta data que se começou a usar concomitantemente a Era (ou ano) de Cristo nas datações, em especial de documentos religiosos (Anno Domini); “Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”; “Era do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, para distinguir da antiga “Era” a nova. O ano iniciava-se, como o Juliano, em 1 de Janeiro.
Aqui fica um esclarecimento há muito tempo solicitado por alguns leitores deste jornal e convém, então, ter em conta que, quando lemos um documento cuja datação vem expressa, antes do século XV, em cronografia romana, lhe seja feita a devida subtracção de 38 anos correspondente à conquista imperial assinalada no Calendário Juliano.

Pe. Armando
06/04/2008

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