Arquivo: Edição de 11-04-2008

SECÇÃO: Generalidades

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Por outras palavras
Milhões me querem

Há quem teime permanentemente, dizendo que pouco valho, apesar da minha antiguidade, experiência e vivência no seio da humanidade. Considero-me útil, sinto-me única no estilo e, desde que me usem devidamente, realizo qualquer pessoa, com esperança e felicidade.
Sem hipótese de ser confundida, tenho uma única maneira de caminhar: o centro. Deixo que os da minha esquerda acelerem até se estatelarem e que os da direita façam as cenas dos caracóis, isto é, que pasmem à vontade. A ambos rejeito pertencer e, eis porque a minha vida, após o nascimento, tem sido luta constante, violência até e com mortes por culpa dalguns.
Inventaram-me por culpa dos injustos, dos pensamentos turvos de tantos e da loucura de outros. Existo, vou caminhando, lutando minuto a minuto e, luto sempre pelos direitos que adquiri, uma vez que me quiseram e fizeram sem que pedisse para existir.
Quantas vezes em qualquer tempo e em qualquer lugar, procuram a minha destruição! Alguns têm-no conseguido à custa de golpes, de armas em punho, de mortes feitas e de vários tipos de violência!
E se alguns me escondem, me guardam ou me silenciam para evitar males menores, sei que mais tarde me solicitam, me acordam, me identificam e desejam, uma vez que jamais morrerei e imprescindível sou!
Servir é o meu dom. E desde que me conheço, sempre vi o povo como o mar: vida e abundância. Só é pena que por vezes, há oradores, políticos e governantes, que são ciclones. Por isso mesmo, sou e tenho sofrido traições: por cobardes, verdugos, malabaristas e por todo o género de canalhas que, para possuírem riqueza e poder, me marginalizam, me deturpam, quando sou como as límpidas águas que matam a sêde dos sequiosos.
Preteriu-me Lenine, o maior dos tiranos. Substituiu-me Hitler, que pretendia ser o senhor absoluto do mundo. Olvidou-me o sanguinolento Mao e fui palco de teatro do utopista e judeu burguês, Marx!
Mas muitos me conhecem e a mim recorrem. Qualquer me identifica e a todos posso servir. A minha existência tem centenas de anos e os meus feitos e fama de bem servir, falam por mim. Os filmes da minha vida e a minha história, satisfazem, alegram e proporcionam felicidade a quem conduz seus povos. Mas como tudo e como todos, tenho os meus inimigos e hipócritas que, pensando isoladamente, confundidos ou fechados em gabinetes, minando pelos corredores sem luz dos gananciosos e dos usurários, traiçoeiramente, tentam apunhalar-me.
Em todos os tempos da minha existência, tenho sido a adversária dos frustrados, dos predadores, dos prepotentes e dos assassinos. E tenho resistido aos ventos, ao gelo, às traições de belos sorrisos e fictícias delicadezas, e a todos os que me apresentam como mentirosa ou oportunista! Sou clara como a água que corre, e onde me encontro sou palpável, inconfundível, certeira e, usando sempre uma só forma de servir, de ser, de actuar em tudo que me meto ou onde me encontro.
Procuram correr comigo dos vários pontos e lugares donde habito. Mostro-me e dou-me a conhecer através dum livro, dum filme, dum jornal ou procuro até existir num campo de desportos. Dou-me em qualquer ponto do mundo e estou sempre apta a servir, por ser esta a minha função entre a humanidade. Inventaram-me para isso, e lamento que ainda nem todos os povos me acarinhem, me usem.
Sou o eco da tolerância, a força dos íntegros, o amparo dos sem voz e dos incompreendidos. A mãe da solidariedade e da amizade, a denunciante das injustiças, a bússola das obrigações e dos direitos de cada um e o farol de todos os responsáveis da sociedade!
Podem-me adormecer ou amputar como o agricultor faz à videira. Mas a seiva que me percorre jamais deixará de palpitar, de se propagar. Sou a defensora da opinião consciente, do trabalho que promove e incentiva, do progresso, da liberdade responsável. Sou a Democracia em democracia, sou única.
E se por vezes, pela violência, me colocam no estado de afónica, eis que sei esperar, observar e actuar, tal como o fiz naquele “ Verão Quente de 1975”, concretamente a dois de Agosto, quando abateram aquele que hoje tem na cidade de Famalicão, uma rua com seu nome, Luís Barroso!
Sei que vários desmiolados me contestam, mas milhões me querem. Assim, a minha existência é uma realidade e a minha vida uma luta, onde quer que existam duas ou mais pessoas. Será sempre a minha existência e a minha história, o filme dos melhores filmes do homem e, serei sempre – quer queiram quer não – aquela serva amiga, “Democracia em Portugal”.
E se se pretender saber quem são os meus inimigos – os ditadores – eu os descrevo como Mons. Gaume: “são leões de afiadas garras. São o ódio de toda a ordem que o homem não estabeleceu. São a proclamação dos direitos do homem sem respeito pelos direitos de Deus. São o fundamento do estado religioso e social baseado na vontade do homem e não na de Deus. São deuses destronados”!
Eis porque os chamo de “ditadores”, por tentarem o meu derrubamento!

Artur Soares

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