Arquivo: Edição de 15-09-2006

SECÇÃO: Região

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Monografia de Vila Nova de Sande

É mais um contributo do Padre Hilário Oliveira da Silva para a história local.
A obra em epígrafe é dedicada ao Padre Domingos Vieira, actual pároco da freguesia, cuja receptividade “foi imediata e sentindo o incontido prazer que lhe ia na alma por semelhante projecto, demos início aos presentes apontamentos monográficos. Aliás, o mesmo Padre Domingos Vieira, diz o autor, “vasculhou o Arquivo Paroquial e lá encontrou um precioso espólio documental, de que foi dando notícias no jornal paroquial O Redil de Vila Nova de Sande.
Tornava-se, por outro lado, fiel intérprete da intenção do seu antecessor, Padre António Lopes que, por sua vez, investigou e publicou no mesmo jornal O Redil várias efemérides alusivas ao tema.
O livro tem 164 páginas e compreende oito capítulos: Vila Nova de Sande, até ao século XVI; a Igreja Paroquial; Anexos da Igreja e Inventários dos Bens Móveis; Tombos, Património e Rendimentos da Igreja Paroquial; Provimento da Igreja Paroquial; Pessoal Eclesiástico; História Religiosa; Estrutura Demográfica, Económica e Cultural; Toponímia Antiga e Vila Nova de Sande no século XX.
A título de curiosidade aqui deixamos os apontamentos relativos à Estrutura demográfica.
Condicionado, em parte, pela relativa escassez de linhas de água no subsolo e pela geologia do mesmo – pólos naturais de fixação das pessoas e, consequentemente, factores de criação de aglomerados populacionais -, o certo é que o povoamento de Vila Nova de Sande cresceu a um ritmo muito lento, durante longas centúrias. Em meados do século XIX, a sua densidade demográfica era ainda muito baixa.
Na verdade, segundo os dados fornecidos pelo pároco em 1842, o número de habitantes era 210, distribuídos por 53 fogos, q ue se dispersavam por numerosos lugares não especificados, mas facilmente identificáveis, através dos assentos de nascimento, casamento e óbito do registo paroquial. Predominava então o habitat disperso, com um, dois ou três vizinhos (fogos) por lugar, e alguns casais isolados a entremear com os terrenos de cultivo.
O autor das Memórias Paroquiais de 1758, por seu turno, ao quesito n.° 3, que indagava sobre o número de vizinhos e pessoas existentes na paróquia, limitou-se a responder que ela tinha 62 vizinhos. Este número, em nosso entender, não traduz a realidade, pois não encontramos qualquer explicação plausível para ser superior ao de 1842. Isto só pode explicar-se por lapso ou falta de conhecimento da verdadeira realidade paroquial, o que é admissível, pelo facto de elas terem sido redigidas precisamente no ano em que o abade Manuel Caetano de Pina tomou posse da freguesia. Aliás, a mesma razão tê-lo-ia levado a não responder a mais de metade dos quesitos. Daí que seja uma fonte documental muito pobre para qualquer investigador que pretenda servir-se dela.
Segundo os censos de 1890 e 1930, Vila Nova de Sande tinha então 64 e 93 fogos, com 234 e 339 habitantes, respectivamente. A criação de algumas novas indústrias, dentro e nas imediações da freguesia, bem como a abertura de mais e melhores vias de comunicação no segundo quartel do século XX, possibilitou uma certa explosão demográfica que o Censo de 1950 já demonstra: 197 fogos e 945 habitantes.
Actualmente, segundo dados do ficheiro paroquial, residem nela 1870 pessoas, distribuídas por 581 famílias inscritas.
Parabéns aos dois bons amigos, Padre Hilário e Padre Domingos Vieira.

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