Arquivo: Edição de 14-07-2006

SECÇÃO: Informação Religiosa

Papa lança Igreja na defesa da família tradicional

Passagem pelo EMF foi confirmação da liderança de Bento XVI
Os actos conclusivos do V Encontro Mundial das Famílias (EMF), em Valência, confirmaram a intenção de Bento XVI lançar a Igreja para a linha da frente da defesa da família contra o que considera serem ataques ao matrimónio e à vida. Nem mesmo o tão propalado clima hostil que muitos previam para a cidade espanhola – por conta dos vários confrontos entre a Igreja Católica e o governo de José Luis Zapatero – retiraram brilho a uma viagem apostólica marcada por gestos e mensagens que tocaram a multidão de muitas centenas de milhares de pessoas que o acompanharam ao longo do fim-de-semana.
Após umas primeiras horas marcadas pelas homenagens às vítimas do acidente no Metropolitano de Valência, Bento XVI centrou-se nos temas que preocupam as famílias católicas um pouco por todo o mundo. Esta manhã, na Missa que encerrou o Encontro, o Papa afirmou claramente que “reconhecer e promover a maravilhosa realidade do matrimónio indissolúvel entre homem e mulher, a origem da família”, é um dos maiores serviços que se podem prestar ao bem comum e ao verdadeiro desenvolvimento das sociedades.
Consciente do país em que se encontrava, Bento XVI repetiu o seu apoio a todos os que lutam pelos princípios católicos numa sociedade cada vez mais “secularizada” e precisou que a família, célula básica da sociedade, não pode deixar de existir, lamentando que a mesma esteja “acossada”.
Sobre o tema do encontro, a transmissão da fé na família, Bento XVI lembrou que esta fé não é uma “mera herança cultural”, mas “uma acção contínua da Graça”. Esta perspectiva faz do matrimónio uma alta expressão da dimensão “relacional, filial e comunitária”, e da paternidade o sinal tangível da “presença de Deus criador”.
Por tudo isto, o Papa deixou um alerta contra uma cultura que “muitas vezes exalta a liberdade do indivíduo como sujeito autónomo, como se ele se fizesse por si só e se bastasse a si próprio”. Na mesma linha, condenou uma organização da vida social que seja feita “apenas a partir dos desejos subjectivos e mutáveis, sem referência alguma à verdade objectiva”.
“A Igreja não se cansa de recordar que a verdadeira liberdade do homem provém de ser criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, a educação cristã é a educação à liberdade e para a liberdade”, explicou.
Às famílias cristãs pediu que não percam de vista “a fonte e a dimensão do amor e do dom recíproco”.

«O avô do mundo»
A firmeza das convicções de Bento XVI, imagem de marca do pontificado, tem tido um impacto tão grande nas pessoas que o seguem como a aparente surpresa do seu carácter afável, que, nesta viagem, se manifestou em diversos gestos de agradecimento e sorrisos perante o entusiasmo da multidão.
No grande encontro festivo de sábado à noite, Bento XVI reafirmou diante de centenas de milhares de pessoas a "vigência" da família baseada no casamento entre um homem e uma mulher, a única - disse - capaz de resistir ao hedonismo.
"Deste modo se contraria um hedonismo muito difundido, que banaliza as relações humanas e as esvazia do seu valor genuíno e da sua beleza. Promover os valores do matrimónio não impede gozar plenamente a felicidade que o homem e a mulher encontram no seu amor recíproco. A Fé e a ética cristã, não podem sufocar o amor, mas sim torná-lo mais são, mais forte e realmente livre", afirmou.
Mais uma vez, Bento XVI convidou os governantes e legisladores a reflectir “sobre o bem evidente que os lares em paz e em harmonia asseguram ao homem e à família, centro nevrálgico da sociedade”.
“O objectivo das leis é o bem integral do homem, a resposta às suas necessidades e aspirações. Além disso, a família é uma escola de humanização do homem, para que cresça até se tornar verdadeiramente homem", acrescentou.
No clima de festa que se viveu, o Papa quis explicar que promover os valores do casamento não impede de "desfrutar plenamente da felicidade que o homem e a mulher encontram no seu amor mútuo". Retomando uma das ideias fortes da sua primeira encíclica, Bento XVI precisou que a fé e a ética cristã não pretendem preterir o amor, mas torná-lo mais saudável, forte e livre.
Um dos momentos mais destacados deste encontro festivo aconteceu quando o Papa falou do papel dos avós na transmissão da fé e se assumiu como o “avô do mundo”. Então, defendeu que os idosos não sejam excluídos do âmbito familiar “sob nenhum pretexto”, lembrando que os avós “podem dar aos netos a perspectiva do tempo, a memória da família".
Esses foram os principais pontos de um longo discurso, no qual Bento XVI ressaltou os valores da família. O Papa não quis falar contra ninguém nem ser agressivo, mas, como tinha dito ainda no avião, deixar uma mensagem de esperança e falar das virtudes das famílias.
“Para a Igreja - ressaltou - a família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida”. Além disso, é um bem insubstituível para os filhos, "que hão de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais”.
O Papa advertiu os pais sobre os desafios da sociedade actual, "marcada pela dispersão", e disse que a Igreja tem a responsabilidade de oferecer acompanhamento, estímulo e encorajamento espiritual que fortaleça a coesão familiar.

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