Arquivo: Edição de 14-07-2006

SECÇÃO: Informação Religiosa

5.º Centenário do nascimento de S. Francisco Xavier

A Companhia de Jesus celebra, em todo o mundo, durante este ano de 2006, um Ano Jubilar: 500 anos de nascimento de S. Francisco Xavier (7 de Abril), 500 anos de nascimento do Beato Pedro Fabro (13 de Abril), o primeiro sacerdote do grupo inicial que deu à Companhia de Jesus e os 450 anos da morte de santo Inácio de Loiola, o fundador desta Ordem Religiosa, a celebrar em 31 de Julho próximo.
Associando-nos às comemorações da efeméride, extraímos de Mensageiro do Coração de Jesus (nº. 7 Julho 2006) o artigo de João Caniço, S.J.

Compreender Xavier
Terá uma imagem muito esbatida da figura de São Francisco Xavier, quem não o conhecer como homem todo motivado pela vontade de Deus, e assim, sempre activo, corajoso e destemido. O seu lema “Mais, Senhor!” havia de o levar ao extremo do mundo (andou, em onze anos, a pé ou de barco, duas vezes e meia o perímetro do nosso planeta!), a não se sentir satisfeito com o que realizava. Achava que, para ser fiel ao que Deus queria dele, não poderia desperdiçar nem tempo nem possibilidades.
Quando chegou a Goa (6 de Maio de 1542), decide em breve ligar-se mais à missionação dos naturais da terra e não se fixar apenas como mais um “capelão” dos portugueses ou dos povos com eles relacionados. Para isso, aprendeu sempre ao menos os rudimentos das línguas daqueles que procurava trazer para o Evangelho…
Foi um pioneiro, autêntico desbravador de terrenos desconhecidos e adversos, acabando por ser o grande elo de ligação e de diálogo entre a cultura ocidental e a cultura oriental, sobretudo no Japão (1549 a 1551).

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A modernidade da sua missionação
A moderna missionação, tal qual a concebe a Igreja nos seus documentos mais recentes, comporta diversos elementos: o testemunho de vida dos missionários; o diálogo amigo; a presença da caridade; o anúncio explícito de Cristo; a conversão e a iniciação cristã. Todos estes elementos devem ser cultivados em ambiente aberto de inculturação (enraizamento da mensagem evangélica e da celebração da fé, nas diversas culturas que acederam à fé católica, numa profunda abertura à sensibilidade e à linguagem próprias dessa cultura); em ambiente de ecumenismo (movimento relativo à unidade na fé); e, finalmente, num diálogo contínuo (iniciativas conjuntas, oração particular e oração em comum, troca de ideias, etc.).
O objectivo fundamental é chegar-se à constituição de Igrejas Particulares (dioceses ou não), dotadas de clero próprio e de estruturas pastorais que assegurem a vida normal e o crescimento das comunidades de fiéis que as integram.
São Francisco Xavier mostra-se admirável nesta modernidade, sobretudo após a sua grande e dura experiência no Japão. Até aí, nomeadamente no início da sua pregação na Índia, mostrou-se ainda relativamente fechado e sem a abertura com que o Espírito Santo o foi favorecendo.
Para ele, a linguagem é ponte de diálogo. Por isso, se esforçava por aprender de todas as línguas, pelo menos o suficiente para fazer o catecismo e para pregar. Mas nunca o fez de forma académica – salvo o latim que aprendeu na Sorbona. Queria a língua portuguesa como “ponte”, na Índia e no Extremo Oriente; mas no Japão, queria a língua japonesa…
Na compreensão da cultura teve um grande caminho a percorrer. primeiro, na Índia, diz às crianças para lhe trazerem os ídolos das suas casas, que ele depois lhes manda destruir… Mais tarde, no Japão, vai perceber definitivamente que o melhor é dialogar e aproveitar o positivo que o budismo apresenta, como ponte de ligação…

O absoluto da vontade de Deus
Só se compreende Xavier quando se desvenda o seu caminho interior, desde o “Ad Maiorem Dei Gloriam” ao “Magis”, do conhecimento da Vontade de Deus até à Urgência da Evangelização, hit et nunc (aqui e agora), que fizeram do estudante atento e reflexivo, o apóstolo infatigável e insaciável.
A partida da Europa, obedecendo a uma ordem dada, fá-lo partir de Roma – em menos de 24 horas! Para Francisco, a Vontade de Deus tem uma força absoluta, irresistível: é a explicação prática do “Ad Maiorem Dei Gloriam” (AMDG), simplificado em “mais…mais!”: Sofrer, Senhor? – Mais!…
Ficou famosa, como exemplo da sua “Urgência da Evangelização”, a Carta de Cochim, aos universitários de Paris: “Muitas vezes me vêm pensamentos de ir às escolas desses lugares, gritando, como quem perdeu o juízo, e principalmente à Universidade de Paris, dizendo na Sorbona, aos que têm mais letras que vontade para dispor-se a frutificar com elas, quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles…”.
Infatigável, insaciável, sempre em ascensão, levado pela exigência da sua motivação missionária: de Goa para Malaca; de Malaca para as Molucas; das Molucas para o Japão; e do Japão para a China…

Exemplo de pioneiro
Com Xavier, abriu-se uma nova época na evangelização do Oriente. Como pioneiro, lançou as bases de uma organização evangelizadora, de tipo centralizado, que se manteve durante séculos, desde o Cabo da Boa Esperança até ao Extremo Oriente.
A ele se devem as primeiras iniciativas de liturgia inculturada na Índia e no Japão e a formação de catequistas e do clero local, com uma dedicação incomparável às populações evangelizadas, de tal modo as cativando que elas nunca mais esqueceram a sua presença.

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