Arquivo: Edição de 27-01-2006

SECÇÃO: Generalidades

«Não» à cultura da morte

A tradição de baptizar um grupo de crianças, no dia da Festa do Baptismo do Senhor, foi seguida por Bento XVI, que aproveitou a ocasião para falar da “cultura da morte” que domina a sociedade actual.
Improvisando a homilia, o Papa mostrou que a sua fama de grande teólogo não é vã e apresentou uma síntese da doutrina cristã e do seu próprio pensamento a respeito do tema da vida.
Bento XVI explicou que a “anti-cultura da morte” pode ser encontrada, por exemplo, “na droga, na fuga da realidade, no ilusório, na falsa felicidade que se mostra na mentira, no engano, na injustiça, no desprezo do outro”, referindo ainda “uma sexualidade que se torna pura diversão sem responsabilidade, que se transforma numa ‘coisificação’ do homem, que já não é pessoa, mas mercadoria, pura coisa”.
Para ilustrar o seu pensamento, o Papa aludiu ao que se fazia no Coliseu romano e nos jardins de Nero, “onde os homens eram queimados como lâmpadas vivas”. “A crueldade e a violência eram diversão, uma verdadeira perversão da alegria e do verdadeiro sentido da vida”, indicou.
Falando ainda dos “sim” e dos “não”, ligados ao Baptismo, o Papa recordou que, na Igreja antiga, este “não” era resumido numa palavra: dizia-se que se renunciava à “pompa diaboli”, isto é à promessa de vida em abundância, a esta aparência de vida que vinha do mundo pagão, desta aparente liberdade. “Era um não à cultura aparente de abundância de vida, mas que era uma anti-cultura da morte”, ilustrou.
Perante esta “vida de aparências”, Bento XVI desafiou os católicos a “cultivar a cultura da vida, dizer sim a Cristo, sim ao vencedor da morte”. Esta cultura da vida, contudo, não deve ser entendida como simples ideia, mas algo de concreto que se manifesta nos “Dez Mandamentos” como visão de vida: sim à responsabilidade social, à justiça, à verdade, à vida.
“Esta é a filosofia da vida e da cultura, da vida que se torna concreta e praticável na Comunhão com Cristo”, disse. O Baptismo é dom da vida e desafio a viver a vida, concluiu Bento XVI, “dizendo não ao ataque da morte que se apresenta com a máscara da vida, mas é sim ao grande dom da vida, da verdadeira vida”.

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