Arquivo: Edição de 27-01-2006

SECÇÃO: Generalidades

Papa Bento XVI e o Ecumenismo

"Pai, que todos sejam um" Jo. 17,21
Esta expressão de Jesus, na sua oração ao Pai, é sempre o ponto de partida de qualquer reflexão sobre a unidade dos Cristãos. Aqui encontramos o profundo desejo do próprio Senhor da unidade de todos os seus seguidores. Também a Igreja católica prossegue este mesmo desejo para todos os que professam a sua fé em Jesus Cristo.

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Neste breve artigo, não podemos deixar de esclarecer o termo Ecumenismo: entende-se o diálogo e a procura da unidade de todos os cristãos, ou seja, entre todos os que têm Jesus Cristo como seu Senhor. Logo, é diferente do diálogo inter-religioso, diálogo com as outras religiões não-cristãs.
Passados apenas oito meses do seu pontificado, o Papa Bento XVI já deu provas de que o ecumenismo constitui uma das grandes prioridades da sua missão Papal. Na sua primeira mensagem, dirigida aos Cardeais eleitores, afirmou que o actual Papa "assume como compromisso primário o de trabalhar sem poupar energias na reconstituição da plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo. Esta é a sua ambição, este é o seu impelente dever"(1). Não é algo novo, mas antes reafirma a missão começada já nos anteriores Papas Paulo VI, (que assinou o Decreto conciliar Unitatis redintegratio) e João Paulo II, que fez deste documento a inspiração do seu Pontificado.
O Ecumenismo baseia-se obviamente naquilo que nos une e não no que nos separa, reconhecendo o longo caminho já percorrido em favor da unidade. Este caminho, marcado por temores e hesitações, tem dado os seus passos e frutos, como reconhece num outro discurso dirigido à Delegação do Patriarcado ecuménico de Constantinopla (2).
A par destes gestos sinceros e significativos, um outro campo de encontro das várias Igrejas é o da reflexão teológica. Como teólogo, o Papa é particularmente sensível a este aspecto, embora reconhecendo a sua enorme dificuldade.
Contra aquilo que se pode chamar um "Ecumenismo de volta" - renegar a própria tradição e história de Fé, em favor da unidade - o Papa acentua uma necessária "unidade na multiplicidade e multiplicidade na unidade"(3). Deste modo, reafirma que "a unidade que buscamos não é absorção nem fusão, mas respeito pela plenitude multiforme da Igreja"4.
Este desafio que Bento XVI nos lança deve estar pleno de esperança e dum entranhado realismo. É um apelo urgente lançado a toda a Igreja católica pelo seu pastor e cabeça. Para todos os fiéis, é um chamamento ao acolhimento, à escuta, à partilha e à aceitação, sabendo que contamos com a força da oração e a luz do Espírito Santo. À medida das forças e possibilidades de cada um, somos conscientes que a unidade (ou a divisão) começam no interior do próprio coração.

Pe. Lourenço Eiró, sj

(1)PAPA BENTO XVI, Primeira mensagem de sua SS Bento XVI no final da concelebração Eucarística com os cardeais eleitores na Capela Sistina, 20 de Abril de 2005
(2)PAPA BENTO XVI, Discurso do Papa à Delegação do Patriarcado ecuménico de Constantinopla, 30 de Junho 2005
(3)PAPA BENTO XVI, Discurso do Papa Bento XVI por ocasião do Encontro Ecuménico no Palácio Episcopal em Colónia, por ocasião da XX Jornada Mundial da Juventude, 19 de Agosto de 2005
(4)PAPA BENTO XVI, Discurso do Papa à Delegação do Patriarcado ecuménico de Constantinopla

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