Arquivo: Edição de 28-10-2005

SECÇÃO: Generalidades

A Saúde Integral da Pessoa - O Desafio do Espiritual

De 22 a 25 de Novembro realiza-se, em Fátima, o XIX Encontro da Pastoral da Saúde subordinada ao tema em epígrafe.
Dada a importância do evento, publicamos a mensagem do Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, D. José Francisco Sanches Alves, Bispo de Portalegre-Castelo Branco, bem como o enunciado de objectivos.

Mensagem
Uma definição pode ser feita de várias formas. Quando o objecto é bem conhecido, a definição é feita pela positiva. Quando o objecto é mal conhecido, a definição é feita pela negativa. A saúde foi, durante muito tempo, definida como ausência de doença. Passou depois a ser definida posivamente. Dentro desta segunda categoria de definições, uma das mais sintécticas e que nos ajuda a enquadrar este nosso Encontro Nacional apresenta a saúde como tensão para a harmonia. Tendo presente que cada ser humano é imperfeito na sua origem e vulnerável no seu percurso, compreende-se que se apresente a saúde em sentido pleno mais como um ideal para o qual se tende como uma realidade adquirida. O ideal consistirá na harmonia entre todas as componentes identificáveis no ser humano. A um maior grau de harmonia corresponde, certamente, maior unificação de vida e maior grau de bem-estar.
Se é harmonia, a saúde implica a conjugação de muitos elementos e só existirá quando todos os elementos se interligarem uns com os outros e se conjugarem em ordem a um fim comum. No caso, o fim comum será o bem-estar da pessoa humana. Bem-estar consigo mesma. Bem-estar perante e com os outros. Bem-estar na relação com o Transcendente. Bem-estar que se explica a partir dum passado assumido com tranquilidade, dum presente vivido com intensidade e dum futuro que se antecipa como concretização dos ideais mais nobres que projectam o ser humano para a harmonia total. Só a dimensão espiritual que o diferencia e o coloca acima dos outros seres da criação pode abrir o ser humano ao Transcendente, sendo por isso considerada como uma dimensão essencial para o compreender e para explicar a sua saúde. Nos casos em que a saúde não foi entendida de forma tão abrangente, a dimensão espiritual foi omitida ou relegada para o limbo das escolas de saúde e dos hospitais.
Pela nossa parte, entendemos que cada ser humano é uno, único e indiviso enquanto pessoa e, portanto, goza de saúde plena quando nele a harmonia é plena, goza de saúde frágil quando a harmonia é frágil e perde a saúde quando a harmonia se desorganiza.
Dentro de uma visão positiva e holística da saúde, a espiritualidade tem vindo a adquirir, felizmente, cada vez mais relevo tanto no que diz respeito à definição conceptual da saúde como na aceleração e nos bons resultados dos processos terapêuticos. Conscientes desta realidade, promovemos o XIX Encontro Nacional da Pastoral da Saúde centrado no desafio que a dimensão espirutial lança a todos os profissinais da saúde, a partir de uma abordagem pluridisciplinar do tema, para melhor o compreendermos. Estou certo que com a contribuição científica, altamente especializada, dos nossos palestrantes todos sairemos deste Encontro mais esclarecidos sobre o tema e mais preparados para intervir profissionalmente.

Objectivos
Tendo em consideração que a espiritualidade faz parte da vida humana e que a Igreja tem o dever de proporcionar o apoio espiritual e religioso a quantos dele carecem e na medida em que o pedem, a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde decidiu organizar o XIX Encontro Nacional da Pastoral da Saúde com os seguintes objectivos:
– Dar a conhecer a importância da espiritualidade na vida humana e a obrigação de dar-lhe atenção quando, nos cuidados de saúde, a pessoa humana quer recuperar integralmente a qualidade de vida a que tem direito.
– Compreender que a espiritulidade se não esgota no religioso embora, em muitos casos, a religião seja parte integrante da espiritualidade e a ela se deva dar tempo, também no exercício de cuidados.
– Descobrir qual o papel dos técnicos de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, capelães e administrativos) na difícil tarefa de proporcionar aos enfermos os cuidados de saúde que contemplam a dimensão espiritual da pessoa, proporcionando-lhe, segundo a sua cultura, os cuidados religiosos que venha a solicitar.
– Oferecer elementos de acção que permitam o acompanhamento espiritual e religioso dos doentes, a partir de uma relação humana integral que pode iniciar-se no diálogo com um médico ou enfermeiro, na presença de um voluntário e a acção de um capelão hospitalar.

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