Arquivo: Edição de 28-10-2005

SECÇÃO: Generalidades

Há quatro anos Bento XVI esteve em Guimarães

O doutor Castro Meireles, capitular da Sé do Porto e professor jubilado da faculdade de Teologia da UCP (Porto) teve a gentileza de nos enviar fotocópia de um editorial que escreveu na IGREJA PORTUCALENSE, boletim da diocese do Porto (Maio - Agosto).
Pensou e bem - que nos interessaria saber que o então Cardeal Ratzinger esteve em Guimarães nos princípios de Março de 2001.
É-nos muito grato saber que a primeira informação que Bento XVI teve de Guimarães foi através daquele ilustre amigo que fez questão que ele conhecesse a cidade-berço. Por isso, reproduzimos, na íntegra, o referido trabalho jornalístico.

Ratzinger no Porto em 2001*
1. Simples, discreto, afável – muito diferente e, paradoxalmente, muito próximo de João Paulo II – o Papa Ratzinger apresentou-se, pela primeira vez, em público, como “um simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor”… Na realidade, é por todos reconhecida a altíssima e multifacetada estatura do novo sucessor de Pedro, “pedra sobre a qual todos se podem apoiar com segurança”, como fez questão de sublinhar na homilia programática do dia 20 de Abril.

2. Nos princípios de Março de 2001, o então Cardeal Ratzinger veio ao Porto proferir uma conferência na Universidade Católica. A Europa e os seus fundamentos espirituais – ontem, hoje e amanhã: era já então grande a sua preocupação pelas raízes cristãs da Europa, cujo patrono é São Bento… Patriarca dos monges do Ocidente.

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Tive o privilégio de o ciceronear numa pequena volta pelo Norte do país.
No Porto, pareceu-me que apreciou muito a Torre dos Clérigos, vista do Terreiro da Sé, naquele fim de tarde. Interessou-se particularmente pelos elementos barrocos da catedral – como bávaro que é, gosta do estilo barroco.
Na cidade-berço, Guimarães, impressinou-o a carga simbólica da rude capela românica de S. Miguel, junto ao Castelo. Falou-se, naturalmente, do “fenómeno” histórico Portugal – desde o séc. XII… Quis saber as origens da língua portuguesa.
No Paço dos Duques, perante as chamadas tapeçarias de Pastrana, foi lembrada a primeira expansão ultramarina. À entrada da Senhora da Oliveira, observou, por instantes, a celebração da Missa dominical que então decorria.
Finalmente, no antigo mosteiro Jerónimo de Santa Marinha da Costa – onde almoçou – falou-se de Frei Diogo de Murça, cultor da “Teologia positiva”, já no séc. XVI.
Em Braga, Ratzinger seria recebido por D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, que o acompanhou numa visita ao Bom Jesus do Monte e à Sé Catedral.
Regressou ao Porto – à Casa Episcopal – visivelmente satisfeito.

3. Apresentado pelo Senhor D. Armindo, Bispo do Porto, o esperado e ílustre conferencista começou por fazer uma longa e penetrante análise do acidentado percurso histórico da Europa – “um conceito cultural e histórico”, estruturalmente marcado pelo Cristianismo, oriental e ocidental.
Onde estamos hoje?…
Ratzinger defende com vigor que há uma IDENTIDADE DA EUROPA, a preservar e a promover, de matriz cristã. “A Europa para sobreviver precisa, incontestavelmente, de uma nova recepção crítica e humilde de si mesma”. Ratzinger terminou a sua conferência afirmando: “O que se vai passar com a Europa não sabemos… A carta dos Direitos Fundamentais pode ser um primeiro passo na busca consciente da sua alma. Toynbee tem razão ao afirmar que o destino das comunidades humanas depende cada vez mais de minorias criativas. Os crentes cristãos deveriam, compreender-se como uma MINORIA CRIATIVA e assim contribuir para que a Europa readquira o melhor da sua herança”.

R.A.C.M.M.

* O texto da conferência encontra-se na colectânea Europa, os seus fundamentos e amanhã, Paulus Editora, 2005.

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