Arquivo: Edição de 25-02-2005

SECÇÃO: Informação Religiosa

Lúcia, a memória de Fátima

O país recebeu ao final da tarde de 13 de Fevereiro de 2005 a notícia do falecimento da Vidente de Fátima, a Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado.
Lúcia era considerada a principal figura das Aparições de Fátima, não só por ter vivido mais tempo que os seus primos Francisco e Jacinta, mas, principalmente, porque no tempo das aparições era a mais velha dos Três Pastorinhos, com dez anos, e a principal mensageira de Maria, como lembrava o Santuário de Fátima ao noticiar a sua morte.
A Irmã Lúcia era a testemunha viva das aparições que fizeram de Fátima o “Altar do Mundo”. Os relatos que escreveu das aparições de Nossa Senhora, os “segredos” revelados pela “Virgem vestida de branco” e a vida em clausura daquela que vira e dialogara com Nossa Senhora em muito contribuíram para transformar a Cova da Iria num local de expressão de fé, num espaço de sintonia com o transcendente, num destino de diferenciadas peregrinações e de todo o mundo.
A 22 de Março próximo, Lúcia de Jesus dos Santos completaria 98 anos de idade. Morreu no domingo, 13 de Fevereiro de 2005. A sua médica – relatou D. Albino Cleto à Agência ECCLESIA – encontrou a causa da morte da Irmã Lúcia na “debilidade própria dos 97 anos”. A dificuldade em ingerir alimentos aumentou, sendo quase total na última semana.
Lúcia de Jesus dos Santos (nome de baptismo) nasceu a 22 de Março de 1907, no lu-gar de Aljustrel, próximo de Fátima. Aos 10 anos foi uma dos três Pastorinhos a ter visto, pela primeira vez, Nossa Senhora, na Cova da Iria.
Estava com dois primos, Jacinta e Francisco Marto, que morreram pouco tempo após o ano das aparições: no próximo dia 20 assinala-se o 85.º aniversário da morte de Jacinta, e Francisco faleceu a 4 de Abril de 1914. Ambos já foram beatificados pelo Papa e corre para o fim o processo de Canonização.
Nossa Senhora disse, numa das aparições, que a mais velha dos videntes ficaria neste mundo “mais algum tempo”. Em 17 de Junho de 1921, a Irmã Lúcia entrou, como aluna, no colégio das Irmãs Doroteias em Vilar, Porto. Decidida a ser religiosa doroteia iniciou o postulantado, em Pontevedra (Espanha), em 1925.

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No dia 2 de Outubro de 1926 deu início ao noviciado em Tuy. Professou no dia 3 de Outubro de 1928 em Tuy e ali permanece uns anos.
Em 1934 voltou para a comunidade de Pontevedra. Em 1937 voltou de novo para a comunidade de Tuy.
Em 1946 regressou a Portugal para ser integrada na Casa do Sardão, em Vila Nova de Gaia. Em 25 de Março de 1948 entrou para o Carmelo de Santa Teresa em Coimbra.
Em 13 de Maio de 1948 tomou o há-bito de Carmelita e professou em 31 de Maio de 1949.
Voltou a Fátima a 13 de Maio de 1967 no Cinquentenário das Aparições, a pedido do Papa Paulo VI, e nas três peregrinações do Papa João Paulo II (1982, 1991, 2000).
Por ordem do Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, Lúcia escreveu as suas Memórias, de 1935 a 1941.
Através destas memórias ficamos a saber que foi ela a interlocutora com a Virgem, tendo assumido como missão divulgar a sua mensagem. Nossa Senhora voltou a aparecer-lhe, pedindo que concretizasse os seus pedidos, em 26 de Agosto de 1923, no Asilo de Vilar, no Porto; a 10 de Dezembro de 1925, em Pontevedra, Espa-nha,(revelação dos primeiros sábados); a 13 de Junho de 1929, em Tuy, Espanha, (Nossa Senhora pede a consagração da Rússia); em fins de Dezembro de 1927, a Irmã Lúcia escreve a descrição da Aparição do Menino Jesus que teve lugar em Pontevedra, no dia 15 de Fevereiro de 1926.
A Irmã Lúcia insistiu durante anos, junto dos Papas Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, pedindo que fizesse a consagração do Mundo e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

A.E.

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