Arquivo: Edição de 11-02-2005

SECÇÃO: Região

Alfredo Pimenta: da praxis libertária à doutrinação nacionalista

A par de 9 publicações em verso, esta obra a 31.ª, primeira em prosa, é, porventura, aquela que mais evidencia Barroso da Fonte como historiador e homem de cultura.
Desta obra publicada pela Editora Cidade Berço respigámos as seguintes notas.

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Barroso da Fonte, depois de ter defendido, a sua dissertação de Mestrado sobre a Vida e a Obra de Alberto Sampaio, que ainda se cruzou com Pimenta na cidade em que ambos nasceram e viveram, registou na Universidade do Minho o tema: Alfredo Pimenta: da praxis libertária à doutrinação nacionalista. O trabalho que agora vem a público com esse título, é o resultado dessa pesquisa, realizada entre o ano de 2000 e 2004. Por razões de saúde, o investigador, a conselho médico, desistiu da defesa prevista para o ano em curso. Mas nem por isso deixou de editar aquilo que tinha preparado, dando a conhecer aspectos menos claros da vida e da obra de um dos mais ilustres Vimaranenses de sempre. Editora Cidade Berço: ecb@mail.pt, 393 pp., 18 euros.
Alfredo Pimenta (1882-1950) licenciou-se em direito pela Universidade de Coimbra, deixou-se influenciar nos verdes anos pelo anarquismo, a partir das primeiras leituras de Stirner, Baudelaire, Nietzshe e Proudhon. Começa por combater a monarquia para fazer a defesa do republicanismo, mas, implantada esta, enamora-se pelo evolucionismo e, em 1915, converte-se, definitivamente, à monarquia, invertendo os primeiros combates ideológicos. Desde 1908 até 1931 passou por uma fase muito difícil, porque não conseguiu sobreviver da advocacia, foi professor provisório (1911-1913) e, já casado e com três filhos, teve de viver do jornalismo, colaborando em todos os orgãos que lhe pagassem a colaboração. O seu estilo, agressivo e contundente, provocou-lhe dezenas de polémicas e até com a Igreja se pegou e com a Academia Portuguesa de História de que foi sócio fundador. Em 1931 conhece, mais de perto, Oliveira Salazar. E será este que lhe dá a mão, ao nomeá-lo conservador da Torre do Tombo e, cumulativamente, fundador e director do Arquivo Municipal de Guimarães, que, um ano depois da sua morte, passa a tê-lo como patrono. É ainda Salazar que, em 1949, o nomeia Director da Torre do Tombo, lugar que desempenhou com grande competência, quer como conservador, quer como responsável máximo. Juntamente com Alfredo Guimarães, Eduardo de Almeida e outros, consegue convencer Salazar a restaurar os monumentos da Colina Sagrada, nomeadamente o Castelo, a Capela de S. Miguel e o Paço dos Duques de Bragança. Foi esse o palco privilegiado para as Festas Centenárias (1940), e, graças às suas polémicas com Rogério de Azevedo, o Paço Ducal, sempre com o apoio incondicional do Presidente do Conselho, foi concluído, consoante Pimenta sugeriu, introduzindo-lhe uma zona residencial destinada ao Chefe de Estado. Fundou e dirigiu o Boletim de Trabalhos Históricos e deixou cerca de duas centenas de livros, todos eles marcantes. A sua biblioteca, formada por cerca de 16 mil volumes, foi ofertada à Gulbenkian. E, embora tivesse falecido em Lisboa, deixou testamento a pedir a trasladação para a capelinha da Madre de Deus, junto à casa que um tio padre lhe doou em 1927. Essa vontade foi cumprida em 1951. E nas paredes dessa capelinha, está inscrito, em azulejo um soneto alusivo que deixou escrito.
Tão marcante e polémica personalidade do Estado Novo merecia ser estudado, tanto mais que se conhecem mais de trezentas cartas, manuscritas e inéditas dele para Salazar, reavivando alguns dos mais diversos temas nacionais da primeira metade do séulo XX.

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