Arquivo: Edição de 20-12-2019

SECÇÃO: Região

Jornadas do Órgão Histórico da Oliveira

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Nuno Mimoso – músico sacro, pedagogo e investigador do património musical e organístico, diplomado pela Escola Superior de Música Sacra de Regensburg na Alemanha – foi director artístico das «Jornadas do Órgão Histórico da Oliveira» celebradas de 4 a 8 de dezembro. O 6.º aniversário do restauro do nosso órgão foi celebrado com nove visitas guiadas, dois concertos de órgão com coro, missas solenizadas, uma masterclasse para organistas – eventos didácticos, promovidos pela paróquia em colaboração com o Museu Alberto Sampaio, e concebidos pelo Dr. Nuno Mimoso que tivemos o ensejo de entrevistar:

Obrigado pela sua presença entre nós. Há quanto tempo vive na Alemanha? O que justificou essa escolha profissional/pessoal?

Fui para Regensburg há 10 anos atrás, sem ajudas e muito expectante, prosseguir estudos musicais na área do órgão e da música sacra; urgia contactar com uma realidade musical e litúrgica desenvolvida; aprender mais e crescer como músico, e finalmente poder trazer algo dessa fonte para Portugal. Regensburg detém enorme reputação no tocante à Música Sacra e aos Estudos de Teologia. Basta lembrar que foi catedrático da Universidade o Cardeal Ratzinger, futuro Papa Bento XVI. O seu irmão Georg foi mestre capela da Catedral, que há séculos detém um coro de meninos, cuja formação é dada pela Diocese em troca de cantarem em todas as liturgias pontificais. Essa era uma prática existente em todas as catedrais europeias e também em Portugal, que infelizmente a perdeu. A Regensburg vão estudar e especializar-se clérigos e teólogos de todo o mundo.

Costuma vir a Portugal com regularidade? O que o faz voltar?

Embora eu resida e trabalhe na Alemanha, é agilíssimo hoje-em-dia viajar com os voos low cost. (A nossa mobilidade astronómica é porém um grave mal para o ambiente: esperamos ansiosos a invenção de motores de combustão não-poluente nos aviões…) A minha presença em Portugal tem-se requisitado cada vez mais, pela fase positiva de crescimento não só económico, mas pela maior abertura do mercado cultural. Por força do turismo, Portugal tem descoberto as suas potencialidades adormecidas no património, na História, nas suas tradições centenárias, na antiguidade e historicidade dos seus monumentos. Todos os dias ouvimos admissões de Portugal na Lista do Património Mundial da UNESCO. Neste contexto tem havido também maior atenção para com o património musical, os órgãos históricos e o seu restauro. Claro que a família, o clima, a gastronomia, o património, as raízes me fazem sempre voltar; mas sobretudo a missão de despertar as potencialidades do nosso património musical religioso.

A par da actividade patrimonialista, tenho formado alguns jovens portugueses que entretanto foram estudar na Alemanha. Esperemos que um dia voltem para frutificar.
(continua na próxima edição)

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