Arquivo: Edição de 19-07-2019

SECÇÃO: Região

Dia 25 de Julho, faz anos que Afonso Henriques nasceu em Guimarães

Um grupo de cidadãos, descomprometidos com o poder político, económico ou religioso que ouvira em 27 de Janeiro 2009, em entrevista à TSF, a Presidente da Academia Portuguesa de História, afirmar: «que nascesse em 1109, em Viseu, nunca aprendi. Mas aprendi, quase como dogma de fé, que Afonso Henriques nasceu em Guimarães. Esta é a tese tradicionalmente aceite. Portanto: Guimarães 1111 nascimento de Afonso Henriques», ouviu a mesma pessoa, no dia 16 de Setembro desse ano, anunciar urbi et orbi que, afinal, iria ordenar a mudança dos manuais escolares, trocando Guimarães por Viseu, como local de nascimento do rei fundador da nacionalidade.
Em 25 de Julho de 2011, aquele grupo de cidadãos Vimaranenses passou a celebrar essa data, sempre apontada como verdadeira, quanto ao dia e ao mês, como aniversário do Rei Fundador.
Abel Estefânio, in Medievalista online, nº 8 de Julho-Dezembro de 2010, em artigo científico, avalizado por José Mattoso, resumiu o atabalhoamento das três cidades que nessa altura disputaram o berço do nosso primeiro Rei:
«No ano (2009) em que as cidades de Viseu, Guimarães e Coimbra comemoraram os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, podemos constatar a importância que estas três cidades colocaram na reivindicação do fundador da nacionalidade. O confronto entre elas lembra o de várias mães disputando a mesma criança. À alegria da primeira em acolher o filho que não sabia que tinha, responde a segunda, dramatizando a perda de um filho que sempre considerou seu, e a terceira, resignada com a partilha do filho com as outras duas. Perante estas exacerbadas paixões, o Presidente da República demarcou-se, com evidente sensatez: «Às dúvidas dos historiadores, respondemos, e basta: viu a primeira luz em terra que tornou Portugal e, afortunadamente, nasceu quando foi necessário».
As três Juntas de Freguesia da Cidade de Guimarães, desde 2011, passaram a celebrar essa data, sempre com esse grupo informal de cidadãos. O Executivo Municipal resultante das eleições autárquicas de 2013 aderiu a esse movimento. E, em 2018, passou a reconhecer-lhe toda a legitimidade, concedendo apoio, tal como já fizera ao grupo informal, em 2019. Já no ano em curso, dois porta-vozes desse Movimento convidaram o seu mentor inicial para liderar o processo associativo, o que se concretizou, em 13 de Fevereiro último. Os primeiros corpos sociais foram empossados em 16 desse mês e, após o cumprimento de todas as formalidades legais, tudo se conjuga para que dias 24 e 25, se proceda à entronização dos dezanove elementos que foram convidados para colocar em marcha os destinos da Grã Ordem Afonsina que nasce com dois objetivos concretos: contribuir para que o 24 de Junho (dia em que ocorreu a Batalha de S. Mamede, em 1128) seja o verdadeiro DIA UM DE PORTUGAL e para que o 25 de Julho (independentemente do ano) passe a ser o verdadeiro dia do nascimento do nosso Rei Fundador.
A União das Juntas de Freguesia da Cidade foi a primeira e única estrutura democrática do concelho a apoiar essa manifestação aniversariante. Com a mudança do Executivo da Câmara, houve uma reviravolta total, embora constituído pelo mesmo partido. E, já em 2018, a Câmara contribuiu com um donativo para celebrar esse aniversário. Em 2019, através do pelouro da Cultura, a autarquia concedeu novo subsídio para dar o apoio logístico nesta nobre causa que irmana as mesmas reivindicações: oficializar o 24 de Junho como Dia de Portugal, a nível nacional, e a consagração do 25 de Julho como dia de nascimento do nosso primeiro Rei, em Guimarães.

Barroso da Fonte
(CP: 2473 A)

Email do Jornal: jornal@oconquistador.com
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Dom DigitalProduzido por ardina.com,
um produto da Dom Digital.