Arquivo: Edição de 19-07-2019

SECÇÃO: Região

PASSAGEM DE TESTEMUNHO

Em conformidade com o que se pode ler em “Nomeações da Arquidiocese de Braga” nesta edição de O Conquistador, terminou o meu mandato da paroquialidade de Nossa Senhora da Oliveira; dentro de algumas semanas, haverá passagem de testemunho. Com este ato, naturalmente, O Conquistador vai ter nova direção.
Desde os primeiros dias do mês de setembro de 1959 que fui tendo um contacto mais ou menos direto com o nosso jornal: nas Oficinas de S. José, onde, então, era composto e impresso, acompanhando, por vezes, o trabalho da composição manual e preparando as edições a enviar pelo correio; mais tarde, a partir do terceiro trimestre de 1962 até junho de 1967, como responsável do corpo de redação e finalmente, diretor desde abril de 1988. Quer dizer que este jornal, que, em dada altura, teve de mudar de nome e de logotipo, apresentando-se com a denominação de Colina Sagrada, faz parte do percurso dos meus 60 anos de vida sacerdotal.
Vivi intensamente a ilusão, sobretudo ao escrever sobre temas respeitantes à caraterística de jornal católico, de que era lido com interesse por muitas pessoas, tentação semelhante à que nos invade quando comunicamos nos noutros espaços e circunstâncias no exercício do ministério da Palavra. Todavia foi muito boa esta experiência, pois contribuiu salutarmente para confiar na palavra do Mestre divino, dirigida aos discípulos: “ide… quando entrardes nalguma casa dizei primeiro “paz a esta casa”.. e se lá houver gente de paz a vossa paz repousará sobre eles; senão ficará convosco (Luc 10, 6). De verdade, devo confessar que, apesar das minhas muitas limitações, fraquezas e pecados, tenho-me sentido sempre envolvido pelo manto (dom) divino da paz.
O Conquistador nasceu como jornal católico e regionalista (arciprestal). Nesta segunda vertente, reconheço que, progressivamente, se foram acentuando dificuldades de vário género, subordinadas quase sempre ao denominador comum de qualquer atividade humana, o dinheiro. Realmente o espírito da primeira hora foi esmorecendo e a praga que está na origem de tantos insucessos pessoais, institucionais e coletivos, falta de sensibilidade e compromisso, tem ditado a sua lei. Salvo raras e muito honrosas exceções, é manifesta a falta de colaboração das comunidades paroquiais e seus mais diretos responsáveis. Neste contexto, porém, é devida uma palavra do maior apreço e gratidão à compreensão do Conselho Económico Paroquial da Fábrica da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, que tem arcado com o ónus da pesada fatura, palavra extensiva a um punhado de assinantes e anunciantes que não se esquecem de cumprir os seus deveres.
Destaque também para os ilustres colaboradores, de modo especial aqueles a quem a ficha técnica habitualmente faz referência: a competência e absoluta gratuidade jamais será esquecida. E permita-se-me evocar a memória de dois queridíssimos amigos que “partiram” há bem pouco tempo: Fernando José Teixeira e padre Armando Luís de Freitas.
Não será difícil adivinhar a montanha de sentimentos na vivência deste episódio da minha vida. Eu próprio poderei fazer o resumo: o ministério de que fui investido em 15 de agosto de 1959 só termina no último e grande dia, o dia do encontro com Aquele que me enviou; até lá, quando Ele quiser, o caminho terá sempre o mesmo e único sentido, sejam quais forem as circunstâncias pontuais.
À Senhora da Oliveira elevo a minha prece, rememorando um cântico que no meu tempo de criança se entoava com tanta devoção e fervor e que aqui cito de cor, na igreja da minha querida vila de Joane. Ó rainha de excelsas vitórias, de que a Pátria de Nuno se ufana. Portugal é teu trono de glória, mãe de Deus, mãe da Grei lusitana. Portugal (Guimarães) é teu trono de glória, mãe de Deus, mãe da Grei lusitana.

Guimarães, 14 de julho de 2019
Mons. José Maria Lima de Carvalho

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