SECÇÃO: Região

Basta trocar o 10 pelo 24 de Junho para acertar a História

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Para acertar a teoria com a prática, no que diz respeito ao Dia de Portugal, basta trocar a simbologia do dia, ou seja cumprir o que aconteceu em 24 de Junho de 1128. Ninguém consegue apagar a Batalha de S. Mamede tenha sido em S. Mamede, em Aldão ou em S. Redanhas. Todos esses sítios se situam «prope castelum». Num raio de meia dúzia de quilómetros e no leito do rio Selho». Todo esse espaço se situa no perímetro urbano. Também não há dúvidas de que foi nessa Batalha, entre o príncipe D. Afonso Henriques e as tropas da Mãe, D. Teresa, que se dirimiu esse conflito. O filho foi fiel ao Pai; e o Pai, que desde 1096, vinha buscando a independência do reino.
A Mãe, já viúva e perdida de amores por Fernão Peres de Trava, torcia pela ligação ao reino de Leão e Castela. Desse prélio que foi renhido saiu vencedor o jovem infante que assumiu os interesses do Condado Portucalense, afastando a Mãe e o amante da sede desse Condado, até 1131.
No próximo dia 24 deste mês faz 891 anos que esta batalha se travou. O Presidente da República estará presente, em Guimarães, para, desde já, sinalizar que daqui a um ano, ele próprio presidirá às cerimónias comemorativas dos 892 anos da «Primeira Tarde Portuguesa». Durante estes quase nove séculos a História de Portugal andou fora dos trilhos. Era das nações mais antigas e não celebrava ou celebrava, em data errada, o seu aniversário.
O dez de Junho passou a ser o dia de Portugal. Mas em homenagem ao dia da morte de Luís de Camões. O Estado Novo deitou-lhe mais um remendo: «o dia da Raça e das comunidades Portuguesas». A seguir ao 25 de Abril de 1974 não houve coragem de acertar a cronologia Histórica. Houve para algumas coisas erradas como por exemplo, a atribuição do nome do 25 de Abril à Ponte Salazar. E deixou outras como o dia em que se medalhavam os militares e outras figuras ditas ilustres. Em Guimarães continuou a respeitar-se o feriado municipal. Até 1990, como as maiorias eram minoritárias, houve sempre entendimento para se elaborar programas de consenso. De lá até aqui as maiorias foram sempre absolutas e as cerimónias desse feriado passaram a servir para realizar inaugurações.
A mudança dos líderes foi benéfica porque o clima de autoristarismo deixou de respirar-se e, com novas mentalidades, o posso, quero e mando deu lugar ao diálogo. Guimarães lucrou muito e é hoje visível em várias frentes sociais.
Neste ambiente respirável foi possível restabelecer plataformas de colaboração e de consenso, como é o caso dos feriados e da utilização histórica e cívica do nome do Rei Fundador; e ainda da interpretação que Guimarães deve dar, face à certeza de ter sido primeira capital Portuguesa, palco da «Primeira tarde nacional e berço do Rei Fundador, com relevo para o facto de aqui ter nascido em 25 de Julho e de aqui ter sido baptizado. Se em nove séculos de história nenhum outro monumento histórico reclamou esse privilégio e se esse Monumento foi considerado «nacional», sendo visitado diariamente por milhares de turistas, que lêm essa afirmação na carta epigráfica lá mandada colocar em 1664, por que espera o poder político?
A Câmara de Guimarães já deliberou atribuir a medalha de ouro de Cidadão Honorário ao Presidente da República, no próximo dia 24 de Junho. As festividades desta data vão inserir a Feira Afonsina, havendo também as Jornadas Históricas em torno da figura lendária de Egas Moniz que foi aio de D. Afonso Henriques e que se notabilizou quando foi, de corda ao pescoço, acompanhado da família, resgatar a palavra não comprida do futuro Rei de Portugal?
Foi neste envolvimento histórico que, em 13 de Fevereiro, foi constituída a Grã Ordem Afonsina, no mesmo mês instalada e, nesta altura, em mangas arregaçadas, para engrossar a solenidade do dia UM de Portugal.
Tão solene data irá prolongar-se até à celebração, em 25 de Julho seguinte, da data do aniversário do nosso Rei Fundador. Não se criam mais feriados, não se gasta mais dinheiro, nem se enganam mais estudantes.
Apenas se ajusta a verdade histórica à realidade que andou 900 anos à deriva, como barcos com fugitivos no alto mar.

Barroso da Fonte

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