Arquivo: Edição de 17-05-2019

SECÇÃO: Generalidades

Semana da Vida

Em resposta ao apelo lançado pelo Papa S. João Paulo II no encerramento do Sínodo da Europa em 1991 de que em todos os países do mundo se promovesse, todos os anos, a celebração de um Dia ou de uma Semana da Vida, os bispos portugueses em 1994 – Ano Internacional da Família – decidiram instituir a Semana da Vida, na terceira semana de maio. Celebramos, assim, sob o lema há vida há futuro a 26ª Semana da Vida.
As lições da Natureza que, nestes dias de primavera, espirra vida por todo o lado e desafia até os menos atentos a contemplar na multiplicidade e variedade de seres vivos, plantas e animais, a obra sublime da Criação sempre com novos segredos é, de facto um estímulo a despertar no homem, obra prima do Criador, sentimentos de louvor e de festa. Associada a este quadro de maravilhas, dom gratuito de Deus, estão os sinais e o contexto social e cultural em que as pessoas se acham e que poderão condicionar a melhor leitura daquela oferta verdadeiramente inestimável.
Desde logo, o respeito, defesa e promoção dum ambiente sadio deverão presidir a todos os comportamentos singulares e coletivos; é, na verdade, a vida de todos nós que está em causa.
Por coincidência, durante estes dias, decorre a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu; mais adiante, a campanha para nova legislatura da Assembleia da República. É suposto que os candidatos a estas estruturas do poder habitualmente são pródigos em intenções e promessas para atingir alguns objetivos. Tudo, no entanto, deveria decorrer a partir das considerações mais pertinentes sobre o tema transversal a todos os demais, a vida das pessoas. E neste processo atender à Família e instituições mais vocacionadas para a vida especialmente as que se enquadram nos setores da Saúde, Educação e Segurança Social.
Entendemos também que, num contexto de apresentação e discussão de ideias, em campanhas eleitorais, os políticos, mormente os cristãos, não deveriam abdicar de propor os princípios e ensinamentos da Igreja em causa tão importante como é a Vida. E isto porque, sendo laico o Estado e devendo, por isso, observar as regras da democracia, com toda a justiça a Igreja tem razão para ser ouvida.
Vai ganhando cada vez mais expressão e até ansiedade o decréscimo da população; uma percentagem larguíssima de mulheres fecha-se à vida, subestima a maternidade. Como, em muitos outros setores da vida, responsáveis há que analisam o facto em termos meramente economicistas: há municípios que incluem nos seus orçamentos verbas para estimular os casais a ter filhos. Parece-nos, no entanto, que antes ou a par disso, se deveria dar realce ao amor, à vocação dos casais de formarem uma família estruturada no compromisso de pautar os seus atos no respeito pela dignidade pessoal de cada um e das próprias fontes da vida. É claro que tudo isto exige conversão e aceitação dos princípios da moral cristã. Não vale tudo na intimidade do homem e mulher. A doutrina da Igreja sobre a sexualidade conjugal não está hipotecada. O uso de contracetivos não pode deixar de ser ponderado. Não será até este um dos motivos de afastamento da prática religiosa?
Também não poderá esmorecer o propósito de denúncia contra os atentados à vida em todo o seu percurso e desenvolvimento. Não podemos tolerar que questões, como o aborto, estejam arrumadas: nenhum poder ou convenção humana tem direito sobre a vida. E, em vez de discussões sobre a execução ou não da eutanásia, impõe-se encarar com todo o realismo os doentes e as pessoas mais débeis e tantos que necessitam de cuidados continuados e paliativos.
Para todos e, já agora, para os políticos, a Semana da Vida, deve provocar esta e muitas outras inquietações; para os cristãos, o dever do exercício de muita ação e denúncia profética, condimentados pela oração.

Lima de Carvalho

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