Arquivo: Edição de 11-05-2018

SECÇÃO: Generalidades

A propósito do Dia da Mãe

Este ano, celebrou-se no dia seis, primeiro domingo do mês de maio. De entre tantas datas marcadas para, ao longo do ano, se celebrarem pessoas, classes e efemérides tidas como importantes para a estruturação do tecido social, este, o Dia da Mãe, parece ter um significado especial: não tem dia fixo do mês, mas acontece no primeiro dia da semana do mês de maio. Só isto lhe confere já uma atenção diferente: é como que colocar a mãe no centro da família e na génese da nobreza da Nação.
Efetivamente o primeiro dia da semana, domingo, é o dia do Senhor e também o dia da família e do encontro. E para ser vivido como tal, ninguém, como a mãe, é capaz de prevenir as melhores condicionantes para que tudo se desenvolva no sentido do amor, da alegria e da paz.
O dia da mãe celebra-se no mês de maio, em plena estação da primavera: a alegria que a Natureza transporta imprime, à partida, um caráter de sublimidade: a mãe compendia, em potência elevada, os mais belos sentimentos que o coração pode gerar. Mas o mês de maio, na nossa cultura religiosa, é todo ele dedicado ao louvor a Maria, mãe de Jesus e por dom indizível do mesmo Jesus, nossa mãe também. Temos assim um motivo acrescido, o mês da Mãe, de inspiração para encarar tudo o que à mãe diz respeito em redobrado empenho e sentido de responsabilidade.
O “Fazei tudo o que Ele vos disser” dito como ordem nas bodas de Caná, ganha, na celebração do dia da mãe, uma pertinência incontornável. É que, como acima foi lembrado, Maria é Mãe da Igreja, Corpo místico de Cristo, Cristo total, Cabeça e membros. (Soube-nos tão bem esta declaração oficial do beato Paulo VI durante o Concílio Vaticano II). Jesus quis que Nossa Senhora ficasse a ornar a Igreja, Sua presença viva com os homens, alimentada com a força e luz do Espírito Santo, a qual Igreja, por isso mesmo, foi constituída como Mãe: justamente detém a designação de Santa Madre (Mãe) Igreja: o Concílio Vaticano II definiu-a como sacramento e sinal de salvação para todos os homens.
É legítimo, portanto, que consideremos o dia da mãe colocado neste contexto: as nossas mães, diria mesmo a mulher de modo geral porque o coração da mulher está vocacionado para a maternidade, são, de verdade, portadoras inalienáveis do dom de ser expressão viva da Criação e da humanidade restaurada em Cristo.
O primeiro domingo do mês de maio, data escolhida pela própria sociedade civil para celebrar a mãe, não é certamente fruto de mera casualidade ou convenção ou atração pelo encanto do mês da flores; quanto a nós, é patente a carga profética que encerra. Por isso, não sendo justo dissociar a homenagem devida às nossas mães do sentido que tem o Dia da Mãe das mães, a homenagem e o louvor deverão ser dirigidos prioritariamente à Santa Madre Igreja e a Maria Sua Mãe. E o mote é sempre o mesmo: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Concretamente, os cristãos, sobretudo, não deverão ficar de braços cruzados perante a realidade em que estamos mergulhados. É necessário e urgente valerem-se de tantas armas (argumentos), que a Santa Madre Igreja fornece, para lutar com Esperança. É vastíssima e apropriada a doutrina, sempre em renovação, que a Santa Mãe Igreja produz como pistas de formação e orientação para a perfeita realização da mulher, designadamente na sua missão de esposa e mãe. Um ponto, fundamental também, é a mãe não se comportar como mera progenitora, mas verdadeiramente determinante e vocacionada para a educação dos filhos até ao fim.
Que bom seria que a reflexão sobre o dia da mãe tivesse um saldo bem avantajado daquilo que a mãe é sobre aquilo que a mãe não deveria ser!
Como em muitas outras questões, não esperemos o maio do ano que vem: o dia da mãe é este, já, porque não há nada que dispense ou substitua a mãe; porque a mãe não é fonte que se esgotou, dando à luz, mas presença atuante, que deve ser, para amarrar os filhos à Mãe, fonte de salvação.

Lima de Carvalho

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