Arquivo: Edição de 13-04-2018

SECÇÃO: Informação Religiosa

Ressonâncias da Páscoa | Oração de S. Francisco

São João Paulo II, inspirado pelo testemunho de vida e mensagens da serva de Deus, a polaca Faustina Kwalska, que ele próprio canonizou, decretou, em maio de 2000, que o II domingo da Páscoa, ou oitava da Páscoa, passasse a designar-se domingo da Divina Misericórdia. E compreende-se: se o Mistério Pascal de Jesus é o expoente máximo do Seu Amor, é gratificante dedicar um longo tempo de sete semanas – Tempo Pascal – a cantar as misericórdias do Senhor. O II domingo, porém, tem um significado especial pela essência da Palavra proclamada, sobretudo no evangelho (Jo 20, 19-31). O dom do perdão implorado por Jesus ao Pai, quando suspenso na cruz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem (Luc 23, 34)”, no dia de Páscoa à tarde tornou-se sacramento, isto é, encontro de Jesus com o homem-pecador, sinal eficaz de misericórdia e perdão. Segundo S. João, “estando fechadas as portas da casa onde se encontravam, com medo dos judeus”, Jesus apareceu aos discípulos e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.
Neste sacramento podemos ver também concentradas toda a vida e doutrina, desde o anúncio do Reino “arrependei-vos e acreditai no evangelho”, passando por casos concretos, como Zaqueu, a Samaritana, a mulher adúltera, além da declaração expressa que precedeu ou acompanhou os milagres de cura de tantas doenças e enfermidades, e ainda o desejo do Senhor declarado também na véspera da partida para o Pai: “Pai quero que onde eu estiver estejam também contigo aqueles que me confiaste” (Jo 17, 24). E o que nos dizem as suas parábolas, como a do Bom Pastor (ovelha perdida) e a do filho pródigo? O sacramento do perdão, a confissão sacramental representa, de facto, a perpetuidade da misericórdia do Senhor.
Por isso, tanta graça em nosso favor exige correspondência, por imperativo da própria consciência. Mas foi o mesmo Jesus que nos ensinou a conformar a nossa vontade com o Pai, valendo-nos dos Seus méritos infinitos e do reconhecimento da declaração de que “ninguém vai ao Pai senão por Mim”, porque “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). E ensinou-nos a rezar “Pai nosso… perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido (Mt 6,9); amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem (Mt 5, 43); vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando (Jo 15, 14-169… Deixou-nos, por isso, um código de felicidade, as Bem-Aventuranças, dizendo expressamente “felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5, 7). Definiu os pontos concretos de atuação pelos quais haveremos de ser julgados: as obras de misericórdia. Proclamar a Páscoa do Senhor passa por tudo isto. Além do esforço pessoal, é indispensável sentirmo-nos comunidade e viver ao ritmo da liturgia, riquíssima do tempo Pascal.
Neste contexto penso que cabe bem seguir os sentimentos de misericórdia autêntica de S. Francisco de Assis.
Senhor, fazei de mim um instrumento
da vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve
a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se ressuscita
para a vida eterna.

Lima de Carvalho

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