Arquivo: Edição de 23-02-2018

SECÇÃO: Informação Religiosa

24 horas para o Senhor

Desde 2014 que o Papa Francisco pede aos fiéis a “oferta” de 24 horas para o Senhor. Este ano, apontou os dias 9 e 10 de março. É um apelo a que, durante 24 horas consecutivas, todas as pessoas possam dispor de tempo para a adoração eucarística e confissão sacramental.
Quanto a nós, este é um exemplo característico da pedagogia pastoral do Santo Padre. Com esta proposta paternal ditada no contexto da exercitação quaresmal, ele vem lembrar aos cristãos e a todos os homens de boa- vontade que toda a vida vem do Senhor; que ao Senhor são devidas as primícias do nosso dia-a-dia; que Ele é digno de toda a honra, glória e louvor. Por isso, pensamos também que a intenção do papa é de uma abrangência muito mais larga, vai muito mais além da doutrina consignada no Catecismo ou Direito universal da Igreja. Nela vemos incluído o despertar da nossa atenção para a observância dos Tempos Sagrados: a santificação do Domingo e outras Solenidades de preceito e a observância de práticas penitenciais. Aliás, nas suas Catequeses semanais, ele tem falado da devoção, respeito e fidelidade às normas litúrgicas quanto aos textos e ritos, na celebração da missa, bem como veementes apelos à confissão sacramental. Ter coragem, portanto, de sugerir 24 horas para o Senhor é o mesmo que lembrar que Deus está acima de tudo e que, da nossa parte, Ele deverá ocupar sempre o primeiro lugar. Trata-se, afinal, do cumprimento exato do primeiro Mandamento.
O mesmo pontífice que, há dois anos, abriu as portas do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, vem, através de gestos como estes, indicar caminhos para merecermos que a mesma misericórdia se exerça sobre nós, desenvolvendo, da nossa parte, os melhores esforços para sermos também reflexo deste mesmo dom.
Não resisto à ousadia de considerar que o Papa Francisco, elevando tão alto a fasquia, com a proposta das 24 horas para o Senhor, o fez com a graça do Espírito Santo para nos consciencializar de que é preciso fazer estourar o clima de tibieza e indiferença para dar lugar ao ambiente sadio da espiritualidade e temor de Deus.
É urgente que a Sociedade em geral reconheça que os caminhos de secularização, que se vão adensando cada vez mais, padecem muito da balofice de uma engenharia que abriu as portas aos “falsos profetas, encantadores de serpentes e charlatães” tanto ao gosto e ao jeito do demónio que, como diz o Papa Francisco na sua mensagem da quaresma, apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem.
Coisas tão simples como o “Oferecimento das obras do dia”, a Consagração a Nossa Senhora e ao Anjo da Guarda, a recitação do Rosário (ou do terço), as Visitas ao Santíssimo Sacramento, a memória dos santos da nossa devoção, particularmente de S. José, a ação de graças pelo mistério da Encarnação do Verbo de Deus (toque do sino, designado vulgarmente por trindades) e ainda e muito especialmente a participação na Eucaristia e a recitação da Liturgia das horas (breviário) e muitas outras formas de piedade e devoção, são outros tantos modos de aferir o alcance da oportunidade que o Papa Francisco, com a instituição de vinte e quatro horas para o Senhor, nos dá para nos alegrarmos com aquela máxima tão reconfortante de São Paulo: "se vivemos, vivemos para o Senhor”. E aquela advertência do salmista “o que retribuirei ao Senhor por tudo quanto Ele me deu?” deverá também ser acolhida e rezada ao fim de cada dia como momento (graça) muito próximo de Cristo: é, de alguma maneira, a chamada de atenção de que a vida toda (as 24 horas de cada dia) deverão constituir uma oblação de todo o nosso ser para a maior glória de Deus.
Obrigado, Santo Padre, por esta oportunidade tão expressiva de sentirmos que o Senhor está à nossa espera.

Lima de Carvalho

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