Arquivo: Edição de 09-02-2018

SECÇÃO: Generalidades

Dia Mundial do Doente | Igreja hospital de Campanha

No próximo domingo, dia 11 de fevereiro-memória litúrgica de Nossa Senhora da Lurdes - , celebra-se o Dia Mundial do Doente. Há precisamente 26 anos, o Papa São João Paulo II, na carta da instituição desta jornada mundial, definiu o seu propósito como “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo dom da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa face de Cristo que, sobretudo, morrendo e ressuscitando, operou a Salvação da humanidade”.
A escolha desta data, 11 de fevereiro, tem muito a ver com a associação da dor e do sofrimento ao milagre de Lourdes, no sul de França que, a partir de 11 de fevereiro de 1858, 1ª aparição da Virgem Maria a Bernardette Soubirous, se desenvolveu em manifestações sensíveis da misericórdia de Deus através de inumeráveis curas de doentes e pecadores.
É fundamental, portanto, considerar que na atenção e cuidado dos doentes esteja bem presente, como suporte e coroa da divina Misericórdia, Nossa Senhora, a quem não seremos nunca capazes de rezar e cantar os gratos louvores que lhe são devidos.
Esta ideia de uma confiança ilimitada, subjacente ao itinerário de todo o crente, é lembrada e recomendada na mensagem do Papa Francisco. “Neste ano, diz a mensagem, o tema do Dia Mundial do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe e a João: “Eis o teu filho. (…)Eis a tua mãe: e a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa”. (Jo 19, 26-27). O título que tanto gostamos de lhe atribuir “Mãe da Igreja” tem raiz, como diz o Papa, nestas palavras de Jesus, que “dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade”. Ainda, segundo o santo Padre, representando João a Igreja, povo messiânico, esta deve reconhecer Maria como sua própria mãe.
A vocação da Igreja, discipulado de Jesus, se assim podemos dizer, consiste em “sacramentalizar”, ser sinal eficaz de amor e fraternidade nas múltiplas relações e comportamentos dos homens. E, se, também aqui, cabe a regra das prioridades, a primeira prioridade é o cuidado dos doentes e dos pobres. Foi este o exemplo do Mestre e Bom Pastor; foi esta a missão que a Igreja tem procurado cumprir ao longo dos tempos.
Não cabe certamente, nesta breve reflexão, referir a ação da Igreja neste domínio; bastará um olhar sobre a história universal. Mas bem interessante também é reconhecer que o seu suporte, a força do evangelho, originou uma cultura de respeito, atenção e cuidado da pessoa humana, especialmente quando afetada de fragilidades com os casos de doenças e enfermidades.
Hoje, graças a Deus, verifica-se que grande parte dos Estados se preocupa e dedica fatias consideráveis dos seus orçamentos na saúde. Todavia, adverte o Papa: “O trabalho das congregações católicas, das dioceses e dos seus hospitais, além de prestar cuidados médicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terapêutico e desenvolve a pesquisa científica no respeito da vida e dos valores morais cristãos. Nos países onde os sistemas de saúde são insuficientes ou inexistentes, a Igreja esforça-se por oferecer às pessoas o máximo possível de cuidados de saúde, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado ela procura cuidar, mesmo quando não é capaz de curar. A imagem da Igreja como “hospital de campanha”, acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população.
É justo salientar a competência e dedicação de tantos profissionais de saúde, por vezes tão incompreendidos, bem como o trabalho ardoroso e gratuito de elevado número de voluntários, alguns dos quais fazem do serviço aos doentes uma verdadeira forma de realização pessoal de vida. Segundo as palavras de Francisco, estas pessoas concretizam na sua ação o dever que a Igreja tem de “pousar sobre os doentes o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor".
Por isso vem de todo, a propósito, a recomendação: “A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e com políticas adequadas. Assim, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade partilhada que enriquece o valor do serviço diário de cada um”.
Como corolário da mensagem do Papa Francisco, um convite: no próximo domingo não deixe, caro leitor, de visitar algum doente; é bem possível que alguém aguarde, há muito tempo, um sinal da sua presença amiga.

Lima de Carvalho

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