SECÇÃO: Região

DA LUSITÂNIA A PORTUGAL

Dois mil anos de história
Em 16 de novembro de 2017, ocorreu no Paço dos Duques de Bragança um evento cultural de assinalável importância: foi a apresentação da mais recente obra de Diogo Freitas do Amaral – Da Lusitânia a Portugal dois mil anos de história. O objeto em si, o livro, e as intervenções a propósito imprimiram, de verdade, um cunho circunstancial muito diferente de uma simples apresentação.

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A doutora Isabel Fernandes, diretora da Casa foi mais que anfitriã, pois ela própria se encarregou de apresentar o Prof doutor Diogo Freitas do Amaral e a obra em apreço. O tom e a profundidade com que o fez podem ser percebidos como aval de que a obra merece ser conhecida e saboreada. Além disso, fez questão de relevar as benemerências do Professor Freitas do Amaral para com o Paço dos Duques, para com Guimarães.
No uso da palavra, desdobrada numa claríssima lição de história, Diogo Freitas do Amaral quis salientar porque recomendou à Bertrand Editora que a apresentação oficial fosse em Guimarães. Não apenas pelas raízes que o prendem a esta terra pelo lado paterno – o avô e o pai nasceram e amaram Guimarães – mas sobretudo porque Guimarães foi capital de Portugal mesmo ante de o ser, afirmação que justificou com o facto de ter sido a capital dos três Condados Portucalenses, desde 868 a 1143, em que emergem figuras notáveis como Vimara Peres, donde vem o nome vimaranense, Mumadona Dias, os Condes D. Henrique e D. Teresa e o infante, conde e rei, D. Afonso Henriques.
O apreço para com a história de Portugal não é nada menor que o amor à sua terra; serão, aliás, complemento um do outro, dizemos nós. E citou dois acontecimentos que o estimularam à devoção pela história e por Portugal. Em 1979, em plena campanha eleitoral da Aliança Democrática (AD), disse, passando por uma rua estreita de Santarém, apinhada de gente nos dois lados, um homem, alto, robusto, de salientes barbas e capote à ribatejano, lança-se para o carro, que se abriu, para dar o grito: “não se esqueça da história de Portugal, Freitas!» Muito mais tarde, como ministro dos Negócios Estrangeiros, conversando com o seu homólogo da Roménia e naturalmente salientando acontecimentos relevantes da nossa história, notou que o seu interlocutor estava encantado e pasmado também ao ponto de desabafar: “mas eu nunca li nada dessas maravilhas que V. diz; é preciso publicar isso…»
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Deixamos o comprovativo desta paixão por Guimarães, por Portugal e pela sua história com uma passagem do prefácio do livro do Prof. Diogo Freitas do Amaral, transcrita também na contracapa “Portugal é um país da Europa ocidental, e daí recebemos as principais influências, boas e más. Com frequência seguimos o que vinha de além-Pirenéus, mas às vezes fomos pioneiros e podemos hoje legitimamente orgulhar-nos disso.
Para além dos Descobrimentos – em que fomos os primeiros e os que mais se espalharam pelo mundo inteiro, adiantámo-nos frequentemente à Europa mais avançada: estabelecemos a participação do povo nas cortes antes da Inglaterra e da França; concluímos a primeira aliança político-militar da história com a Inglaterra; derrotámos os castelhanos no cerco de Lisboa e na Batalha de Aljubarrota; inventámos o astrolábio e a caravela; iniciámos a 1ª Globalização; estabelecemos os primeiros acordos políticos com o rei do Congo, com marajás da Índia e com chefes japoneses, malaios e chineses; um português comandou a primeira viagem de circum-navegação; achámos e alargámos o Brasil; sofremos o maior terramoto europeu mas reconstruímos com grande beleza a cidade de Lisboa; fomos o primeiro país da Europa a derrotar Napoleão e a inaugurar o telégrafo eléctrico; fomos a primeira nação do mundo a abolir para sempre a pena de morte; fomos também os primeiros a efectuar, por via aérea, as travessias Lisboa-Rio de Janeiro e Lisboa-Macau”.

L.C.

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