SECÇÃO: Generalidades

A ESPERANÇA nos ritmos da vida

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Juntamente ou mesmo a partir do funcionamento dos diversos órgãos que constituem esta maravilha que é o ser humano, a vida desenvolve-se no tempo sob impulsos de ritmos constantes. As estações do ano e a sucessão ininterrupta dos dias e das horas vão determinando ou, no melhor sentido, consolidando o sentimento e aspiração indeléveis de felicidade. Apesar das limitações próprias do ser contingente que somos e de degradação irreversível imposta pela idade, a ânsia de um final feliz, mais do que uma aspiração, parece mesmo gerar um direito de posse. E, se assim é, ela está mesmo ao nosso alcance. Mas como, se o sentimento de tantas dependências é cada vez mais atroz, se a incapacidade própria parece ditar derrota inevitável?
O segredo está bem guardado nos escaninhos da consciência: é preciso abri-los com muita coragem e carinho. A consequência imediata, para espíritos desintoxicados e livres, será o reconhecimento de que foi o mesmo criador que fez a vida assim. Por isso, com toda a razão, as “quebras” e o abrandamento dos ritmos da vida são, afinal, a condição essencial para que aquele sentimento deixe de ser uma atração irresistível para se transformar em luminosa e eterna realidade.
As dificuldades e quase impossibilidade, pelas circunstâncias adversas, mundo e espíritos do mal, aliadas à natureza enferma de tantas fragilidades podem efetivamente ser vencidas pela força da ESPERANÇA. Que é incomparavelmente mais do que esperar que o dia de manhã resolva este ou aquele problema irritante, que se consiga sucesso neste ou naquele empreendimento, que se tenha sorte no jogo. Não; a Esperança que não engana e que preenche completamente a capacidade de ser feliz é um dom gratuito que o autor da humanidade, pelo Seu Verbo feito homem, Jesus Cristo, a todos oferece.
O Natal está à porta. É por ele que veio ao mundo esta Esperança. A revelação do mistério da Encarnação do Verbo Divino veio logo acompanhada do Sinal da Esperança: “Glória a Deus nas alturas e paz aos homens por Ele amados”. A Igreja na sua liturgia renova, em todos os anos, a cadeia rítmica que proporciona aos seus fiéis com sabedoria maternal a vivência desta Esperança. O primeiro impulso é dado precisamente quatro semanas antes do Natal, tempo do Advento, até ao último domingo do Tempo Comum, Solenidade de Cristo Rei, que é exatamente o ponto mais alto da caminhada em Esperança: Esperança que em Jesus Cristo, juiz misericordioso, no fim da caminhada terrena, deixa de o ser para dar lugar à posse definitiva da razão de ser da nossa existência: ver a Deus face a face.
Assim como todas as pessoas apreciam os ritmos da Natureza, sentidos nas estações do ano, também abertos à Fé que suporta a Esperança e gera a Caridade, que a Liturgia alimenta e celebra, aceitemos o convite para entrar com redobrado entusiasmo na preparação do Natal, que está próximo.
A gratuidade dos dons a todos oferecidos e ao alcance de todos, longe de ser entendida como coisa banal ou de interesse relativo, ou ainda acolhida como complemento de tantas outras ofertas julgadas mais interessantes, deverá ser vista como oportunidade sempre renovada para viver feliz.
Se parece que o Natal mantém uma atração irresistível, experimente, caro leitor, senti-lo por este lado, pela Esperança, e então, a festa não terá, como epílogo, arrumar coisas no sótão para o ano que vem. Deixará, sim, energia reconfortante para caminhar sempre, com mais ardor, para a meta final.

Lima de Carvalho

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