Arquivo: Edição de 29-09-2017

SECÇÃO: Generalidades

Despertar Esperança

No próximo domingo, 1 de outubro, todas as paróquias da arquidiocese de Braga são convidadas a iniciar com toda a determinação o novo ano pastoral. O suporte de todas as atividades, concentradas na liturgia, no anúncio profético e na ação socicaritativa é patente no programa ora apresentado: Despertar Esperança. Durante cinco anos houve a intenção de considerar a virtude teologal da Fé como fonte de inspiração para o testemunho cristão das comunidades. Lógico parece que, de imediato, surja a Esperança como alavanca do mesmo tripé para consolidar a estrutura sobrenatural recebida no batismo. Efetivamente, juntamente com a Graça santificante, regeneradora, e os dons do Espírito Santo, foram-nos infundidas as três virtudes, dons inteiramente gratuitos de Deus, de Fé, Esperança e Caridade. E, porque dons gratuitos, cada uma das três virtudes exige, da parte dos destinatários, atitude de acolhimento e correspondência; desde logo, compreender que sendo, assim, chamados a fazer parte do Corpo Místico de Cristo, trabalhar no sentido de vivenciar todo o dinamismo dessa mesma presença de Jesus Cristo em nós. Cada uma das três virtudes radica, portanto, na pessoa de Jesus Cristo que, pelo Seu mistério pascal, Paixão, Morte e Ressurreição, se tornou pontífice e mediador dos homens para concretizar o anseio natural e irreprimível de alcançar a suprema felicidade.
Viver em Esperança é sentir-se apoiado essencialmente em três atributos divinos: omnipotência, misericórdia infinita e fidelidade às promessas. Este é também, para o homem, como que um painel a contemplar apaixonadamente para compreender tantas fragilidades, contradições e desilusões que no dia a dia tem de suportar. É verdade: viver em esperança é também aceitar o desafio permanente lançado pelo apóstolo S. Paulo de viver permanentemente configurados com Cristo; é não perder de vista que a recompensa final não nos escapará.
É tão interessante observar a entrega ao trabalho de alguns estudantes, que se abstêm de tantas ofertas mundanas, para atingir os patamares necessários na obtenção dos objetivos preferidos; as renúncias de desportistas para gozar o sabor das vitórias; a obsessão de tantos cientistas e profissionais para legaram à sociedade meios, por vezes tão ansiados de bem e felicidade; a dedicação escrupulosa de bom número de pais no cumprimento dos seus deveres de estado … Tudo isto e muito mais poderá ser entendido como conteúdos preciosos para viver em Esperança. Digamos que o que falta muitas vezes é o cuidado ou a coragem de regressar à fonte, Jesus Cristo; e que, bem unidos a Ele, o desenvolvimento de toda a caminhada terrena pode e deve transformar-se e atos repetidos de esperança que, por sua vez, tornarão mais luminosa a Esperança, sensação de que se está no caminho certo. Na verdade, para que toda a nossa vida se transforme em graça, na consideração desta virtude da Esperança, basta ter a humildade de combater a autossuficiência, o egoísmo e a aversão a Deus.
Para ajudar a viver em Esperança, o convite da oração do catecismo: “Meus Deus, porque sois omnipotente, infinitamente misericordioso e fidelíssimo às Vossas promessas, espero que, pelos merecimentos de nosso Senhor Jesus Cristo, me dareis a vida eterna, e bem assim as graças necessárias para a alcançar, como prometeste aos que praticassem boas obras, o que eu me proponho fazer, ajudado com os auxílios da Vossa divina graça.
- Senhor, não permitais que a minha esperança seja confundida eternamente”.

Lima de Carvalho

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