Arquivo: Edição de 28-07-2017

SECÇÃO: Generalidades

Temor de Deus

Ao falar dum tema assim, poderá surgir de imediato a ideia de proposta de reflexão para crentes e cristãos particularmente. De facto, o temor de Deus, para estes, não é apenas um sentimento, que se alimenta com raízes mais ou menos profundas, mas verdadeiramente um dos sete dons do Espírito Santo: com a graça santificante e as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, aquela presença de Deus constitui a estrutura sobrenatural do “homem novo”, renascido pelo batismo. A prece “Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis…” para quantos receberam a graça do batismo deveria ser tão apetecida e saboreada como o alimento que procuramos todos os dias para sustento do corpo. Esta e a correspondência à graça da inabitação de Deus em nós permitirá sentir a plenitude da vida e viver a vida em plenitude.
Certamente que o modo de viver ignorando esta realidade ou alheio e impermeável e qualquer toque ou sopro do Espírito, não desculpa do cuidado de atender à voz da consciência e do sentido da dignidade como pessoa e de respeito pelos outros para bem da sociedade humana que, por natureza, somos chamados a edificar. Independentemente do reconhecimento como ser religioso ou crente, os princípios basilares e o código de valores estão lá estruturados por obra do Criador. Assim, os desvios desta ordem e harmonia do caráter específico da natureza humana são atentados, por vezes horrendos e gravíssimos, ao Autor deste maravilhoso microcosmos, que é o ser humano. A área externamente mais sensível desta relação com Deus, prende-se com a sexualidade, determinante e responsável para a expressão do amor e continuidade da espécie.
Há anos atrás sexo e sexualidade eram assunto tabu e, quando tratados, abordados com muito pudor e timidez, o que não ajudava nada ao crescimento em alegria das pessoas, tanto adolescentes e jovens como também adultos, designadamente os casais. De repente, nos últimos dez, vinte anos, parece que tudo se inverteu. Em vez do recato, defesa da integridade, virgindade e pureza de vida abriram-se as portas do vale tudo, dando lugar de cidadania à entrega indiscriminada do corpo, à fornicação, à sodomia e a outros vícios que o desmando sexual não cessa de inventar. No que diz respeito à vida conjugal, os estragos desta mentalidade estão à vista. Em muitos casos, deixou de ser preocupação o respeito pela natureza do matrimónio, doação honesta do amor, particularmente quando estava em causa a limitação da natalidade. Uso do preservativo, da pílula e outros meios e métodos anticoncetivos, quem, hoje, fala disso? Gozar a vida a qualquer preço é o processo dominante. Do programa de muitos casais desapareceu o item essencial, multiplicar o amor pela geração de novos filhos e, em ritmo crescente de situações, as uniões de facto, forma eufemística de dizer mancebia, tão verberada em gerações passadas.
Por muitas razões que se possam invocar para a diminuição da natalidade no nosso país, estes comportamentos estão com certeza na origem de tão grande calamidade social.
No fundo de tudo isto está, ainda que se fechem os olhos e os ouvidos à consciência, a falta do temor de Deus.
Naturalmente que o tema versado agora é apenas isso: um aspeto da relação com Deus ou, se se quiser, um dos compromissos de agir em conformidade com a consciência.
Criar condições para que se exercite o dom sobrenatural do temor de Deus, é abrir janelas a uma vida humanamente digna.

Lima de Carvalho

Email do Jornal: jornal@oconquistador.com
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Dom DigitalProduzido por ardina.com,
um produto da Dom Digital.