Arquivo: Edição de 12-05-2017

SECÇÃO: Generalidades

Centenário de Fátima (1917-2017)

Bem-vindo Santo Padre
É compreensível que os católicos portugueses e até muitos não crentes se sintam honrados com a vinda do Papa Francisco ao Santuário de Fátima em 12/13 de maio para a comemoração do Centenário das Aparições e canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto. O entusiasmo gerado à volta desta determinação do Santo Padre deverá, no entanto, ser traduzido na verdadeira dimensão que carateriza a sua presença no meio de nós. Ele propôs-se vir como peregrino e filho devoto de Nossa Senhora; para além disso, nós entendemos que ele vem como pastor para nos confirmar na fé e também para dizer ao mundo que as revelações de há 100 anos, ditadas por Nossa Senhora aos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, devem ser levadas a sério. Santa Catarina de Sena (1347-1380) definia o Papa como o doce Cristo na terra; por vocação, é sempre o Vigário de Cristo, aquele que confirma na unidade e caridade os fiéis e, por isso, dirige a Igreja como Cabeça.
Ao contemplar a vida do Papa e particularmente no contexto da mensagem de Fátima, podemos sentir a atitude de Jesus no início da pregação “arrependei-vos e acreditai no evangelho” (Mc 1,15); no episódio da mulher adúltera “vai e de agora em diante não voltes a pecar” (Jo 8,11); no encontro com a samaritana “se conhecesses o dom de Deus” (Jo 4,10); em tantos convites à oração e mudança de vida.
O Papa Francisco tem seguido uma regra de ouro no exercício da sua ação pastoral: governar com firmeza e suavidade. É, nesta dupla afirmação de vida, que devemos acolher os seus exemplos e ensinamentos.
Recordando a peregrinação de S. João Paulo II em 1982, citamos o presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reagan, no discurso perante a Assembleia da República de Portugal, em 9 de maio de 1985.
“Ninguém fez mais para recordar ao mundo a verdade da dignidade humana, bem como a verdade que a paz e a justiça começa com cada um de nós, do que o homem especial que veio a Portugal há alguns anos atrás após uma terrível tentativa da sua vida. Ele veio aqui a Fátima, o local de seu grande santuário religioso, para cumprir sua devoção especial a Maria, implorar o perdão e a compaixão entre os homens, orar pela paz e pelo reconhecimento da dignidade humana em todo o mundo.
Quando conheci o Papa João Paulo II há um ano no Alasca, agradeci-lhe a vida e o seu apostolado. E eu ousei sugerir-lhe o exemplo de homens como ele e nas orações de pessoas simples em toda a parte, pessoas simples como os filhos de Fátima, reside mais poder do que em todos os grandes exércitos e estadistas do mundo.
Isso também é algo que os portugueses podem ensinar ao mundo. Pois a grandeza de sua nação, como a de qualquer nação, é encontrada em seu povo. Pode ser visto em suas vidas diárias, em suas comunidades e cidades, e especialmente nas igrejas simples que pontilham seu campo e falam de uma fé que justifica todas as reivindicações da humanidade à dignidade, à liberdade. “
É legítimo compreender que o Papa Francisco acalenta em seu coração estes mesmos sentimentos. Ouçamos a sua voz.

Lima de Carvalho

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