Arquivo: Edição de 09-06-2016

SECÇÃO: Generalidades

O mês de junho e a identidade portuguesa

A vida de cada pessoa, das comunidades e da sociedade em geral, como movimento, que é, carateriza-se por ritmos e rituais que vão definindo com grande clareza a identidade dum povo. Os tempos, as épocas e intercâmbios de vário género, aliados à matriz cultural assim arquitetada, vêm demonstrar a solidez e o inalienável querer de afirmar e preservar aquilo que faz um povo diferente, afinal, a essência da sua identidade.
O sexto mês do ano, para nós, é prenhe de solicitações e comemorações que patenteiam, de facto, a alma própria do povo português. Até a Natureza está associada à alegria e entusiasmo que alimentam a caminhada ciclicamente renovada.
Os dias 10 e 24 de junho consubstanciam uma carga de energia que nem um ou outro momento mais conturbado tem sido capaz de esgotar. 10 de junho, dia de Camões, dia Raça, dia das Comunidades espalhadas pelo mundo, em qualquer destas aceções é sempre a expressão dum Povo, duma Nação com perfil bem definido e que se revê num projeto assumido e dinâmico e, por isso, tem consciência de que é impelida constantemente para um futuro condigno e melhor.
24 de junho, dia Um de Portugal é bem o símbolo da descoberta da alma para a constituição de uma verdadeira Nação: livre e independente. A mística de S. Mamede e o carisma de Afonso Henriques tornaram-se responsáveis de um património com quase nove séculos de existência. Dia 24 de junho de 1128, a primeira tarde portuguesa, no dizer de José Mattoso, viria a ser para nós como prolongamento do solstício de um verão criador que não acabaria mais.
O mês de junho, porém, a par desta legítima exultação patriótica é fortemente ritmado pela celebração dos santos ditos populares: Santo António, São João e São Pedro. Os santos, canonizados ou não, fazem parte do tesouro da Igreja; não coisas paradas, mortas, mas seres vivos na glória celestial e que, por isso mesmo, são, para os crentes, intercessores, cujo patrocínio jamais se esgotará.
São João e São Pedro são santos de todo o mundo: o primeiro, precursor de Jesus; o segundo, constituído pelo próprio Jesus Cristo, Seu vigário na terra e sinal com caráter perpétuo e indelével de unidade e caridade de todos os fiéis. Por isso mesmo, tem todo o cabimento celebrar neste mês de junho o Papa Francisco, sucessor de Pedro.
Santo António – 1191(1192)-1231 – nasceu praticamente nos alvores da Nação Portuguesa reconhecida oficialmente como reino independente. Entre todos, é certamente aquele a que humanamente mais se prende com o nosso afeto e, aliás, com toda a razão: tais são os encómios que a Igreja sempre lhe atribuiu; mais recentemente o Papa Pio XII pela sua Carta Apostólica (16-01-1946) o proclamou Doutor Evangélico “para que não fosse esquecida a dimensão intelectual de Santo António de Lisboa”. Talvez a mais significativa e profética declaração das virtudes e acolhimento pelos católicos de todo o mundo é o facto das exigentes missões de que foi incumbido pelo seu pai espiritual, São Francisco de Assis, o qual numa carta que lhe dirigiu lhe chama “meu bispo”.
As comemorações patrióticas e os santos populares estão à porta; é muito grande, pois, a responsabilidade de todos e cada um. Que tudo isto sirva para nos orgulharmos e ser dignos da nossa identidade, assente em invejáveis valores e excelsas virtudes.

Lima de Carvalho

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