Arquivo: Edição de 27-05-2016

SECÇÃO: Generalidades

Equador: Vidas desfeitas num abalo de apenas 50 segundos
Sobreviver à tragédia

Durante 50 segundos a terra tremeu tanto que ninguém acreditou que iria sobreviver. Foram instantes trágicos que pareceram eternidades. Os sismógrafos assinalaram uma intensidade de 7,8 na escala de Richter. Ainda hoje, mais de trinta dias depois deste terramoto há populações inteiras, no Equador, que precisam da nossa ajuda
O dia de sábado, 16 de Abril, ficará para sempre na memória de todos os que sobreviveram ao terramoto. Os prédios colapsaram com estrondo, as ruas esventraram-se em fendas que pareciam querer engolir tudo à sua volta. Naqueles segundos em que a terra tremeu no Equador, deixou de haver ricos ou pobres, novos ou velhos, indigentes ou poderosos. Todos ficaram à mercê dos caprichos da natureza. Ainda hoje, passados mais de 30 dias, as marcas da tragédia estão por toda a parte, como se ninguém tivesse coragem para varrer os escombros que escondem as lágrimas. D. Lourenço Voltolini estava na capela de um bairro na periferia da cidade de Portoviejo, quando a terra tremeu. “Estava na sacristia. Para não cair, tive que me segurar aos batentes da porta. Os fiéis que ainda estavam na igreja caíram no chão, e a electricidade faltou logo”, recorda. A casa do bispo, que resistiu ao terremoto, foi transformada em hospital de campanha. Era necessário socorrer os feridos, ajudar as pessoas.

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As Irmãs de Canoa
As autoridades falam em quase 700 mortos, 31 desaparecidos, mais de três mil desalojados, centenas de edifícios destruídos. A devastação em Canoa foi tão grande que parece uma zona de guerra. Nesta povoação vivem as Missionárias Franciscanas de Maria Auxiliadora. Em vários quilómetros em redor, elas são, há já muitos anos, a única presença da Igreja. São elas que celebram casamentos, baptizados e outros sacramentos. Mas, mais importante ainda, é a presença amável destas mulheres que se fizeram pobres como os que vivem na aldeia. Agora, também elas estão de mãos vazias. Por ali, ninguém ousa imaginar que, um dia, estas irmãs possam abandonar a aldeia. “Se elas partirem, é Deus que se vai embora”, diz um dos habitantes. Perante a magnitude da tragédia, a Fundação AIS deslocou de imediato uma equipa para os locais mais afectados, para se coordenar melhor o envio das ajudas de emergência. O terramoto de 16 de Abril encheu de lágrimas a vida de centenas de pessoas. Agora, é necessário reconstruir tudo. A Igreja está na linha da frente deste processo. Os apoios de emergência que a Fundação AIS tem feito chegar ao Equador têm-se revelado essenciais. O Arcebispo de Portoviejo diz mesmo que esta tem sido uma ajuda essencial. “Estamos muito agradecidos pela solidariedade da AIS, com a qual temos conseguido comprar água, alimentos e roupa para as pessoas que agora vivem na rua”. Mas é preciso ir mais além, diz. “Temos de reconstruir o país. Nós perdemos tudo… Estamos de mãos vazias.”

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

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