Arquivo: Edição de 27-05-2016

SECÇÃO: Generalidades

COISAS SIMPLES, OU NÃO! (50)

Corrigir para ser feliz

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O actual panorama do ambiente social, comportamentos, é profundamente diferente do de há umas décadas atrás. Hoje vive-se mais rápido, com mais intensidade e, se atentos, nunca tantos estiveram certos: sem erros, conhecedores e, outros fazem questão, força até de chamarem ao vizinho “desactualizado”, “camponês” “analfabeto”.
As certezas de tantos nunca atingiram tantos: pelo que conhecemos de como se exprimem e sobretudo do que falam, quer com razão ou sem ela, quer com força ou com debilidades. Hoje, todos sabem tudo! Hoje todos querem controlar e nunca tão mal se pagou a tais sábios: estes sábios, normalmente são os mais rápidos a ser substituídos, devido à perfeição impagável que transportam. Daí que, a sabedoria e as certezas dispensadas quer dos locais de trabalho, quer na convivência com os amigos… leva os possuidores das certezas que anunciam a criticar quem os dispensou, a utilizarem a língua devidamente afiada e a culparem seja quem for: esses certos das certezas, sempre sabem de tudo – eis porque culpam.
Outra atitude no ambiente que ora vivemos é o diálogo exagerado, desequilibrado e auto-destrutivo. Fala-se meia hora em cinco minutos, desconhece-se as normas éticas e morais de uma conversação. Os temas são por vezes banais e outros sem razão de existirem e, tantas vezes, certas conversas ou temas, apenas visam destruir a amizade ou o são convívio. Tais elementos certos das certezas, não perdem pitada para impressionar, para exibirem o elevado grau de (se pensar) que são desenrascados, activos pensantes, rigorosos observadores e analistas do ambiente em que se inserem. Eis porque há pessoas más pelo que praticam. Outros, não praticando são tão nocivos como os primeiros: inventam, censuram e anarquizam a qualquer hora do dia.
Tantos destes, uma sabedoria geralmente não têm: a de observar a sua ridicularidade, a fuga que os outros fazem de ao pé deles, a insistência no aborrecer, a sua nula possibilidade de desistir de tantas certezas certas, dos rótulos que colocam aos outros, dos medos que transportam e escondem, do passado ou das origens que os envergonha, dos apegos que não conseguem desapegar-se e da eterna certeza que têm em nunca precisarem de se justificar. Estes elementos da sociedade de hoje – que não é toda assim, felizmente – não consegue mudar, reflectir, limar-se e jamais desiste de viver as vidas ocas que testemunham, porque querem agradar e defender as espectativas que os outros possam ter deles, desrespeitando-se a si mesmos em primeiríssimo lugar.
O Xico-espertismo, a teimosia, o orgulho e a enviesada análise são atentados contra a inteligência. Mais: os sinceros, os que buscam a lucidez reconhecem seus tombos. Os tresloucados não os admitem e vangloriaram-se deles, se descobertos. Os verticalizados admitem as suas limitações e pedem conselhos, os débeis disfarçam-nas.
A felicidade procura-se, constrói-se, leva tempo talvez. Mas é no corrigir de tantas “certas certezas” que a felicidade chega: corrigindo posições ridículas e de pensar que os outros são camponeses, desactualizados ou analfabetos.

(P.S. O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico)

Por: Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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