Arquivo: Edição de 27-05-2016

SECÇÃO: Generalidades

MAIO. MARIA. MÚSICA.

Precisamente ao centro desta trilogia Maio-Maria-Música – colocamos Aquela que, ao mesmo tempo se paramenta, como disse alguém, da beleza mais rica da primavera e da capacidade irreprimível de expressão artística do ser humano. Por um lado e pelo outro, a alma devota torna-se mais crente e o crente encontra uma plataforma de quietude e enlevo para sentir o benefício da fé. Maria, desde o Sim da anunciação até ao Stabat junto à cruz será sempre a estrela prodigiosa a iluminar o itinerário de todos aqueles que, por via da fé, sabem que são seus filhos e que Ela, Mãe incomparável, sobre todos derrama bênçãos de carinho. Para que todos e cada um não percam de vista o caminho e a meta. Jesus Cristo Seu divino Filho.
Em todos os anos, o mês de maio traz encontros e atrativos singulares que, como é natural, serão descobertos e sentidos, conforme a sensibilidade e atenção da alma dos destinatários, que são todos os homens. De entre muitos motivos de alegria do mês de maio deste ano e em conformidade com o título em epígrafe, gostaria de partilhar dois: um concerto na igreja de S. Francisco e um livro sobre o 1º Centenário do nascimento de Benjamim Salgado e Manuel Faria.
O primeiro, realizado no passado dia 14, sob a designação de Concertos Marianos e Musicalis Communio, permitiu ao auditório, pela música, experimentar um como que rosário cantado através das obras (15) executadas. O professor José Carlos Azevedo preparou, apresentou e dirigiu, cada um na sua vez, o Coro Assanes, da vila de Prado, o Coro Litúrgico de Joane e o Órfeão de Guimarães. Na parte final, todos os cantores puseram de parte a sua identidade própria para formarem uma Musicalis Communio: então, com mais de setenta vozes bem afinadas o Concerto a Maria alcançou o patamar mais elevado. Assim, foi possível ao auditório envolver-se numa nuvem de louvor à Mãe do Céu, especialmente com o hino da Coroação de Nossa Senhora de Fátima (1946) de Manuel Faria. Se o mérito de muitas atividades humanas não se encontra propriamente no êxito do produto final alcançado, mas na urdidura dos projetos, é caso para dizer que a nota alta de todos os intervenientes no Concerto foi bem merecida pelo intenso trabalho de ensaios a que generosamente se aplicaram.
O segundo motivo de alegria vem do livro que o padre Bártolo Paiva Pereira publicou a respeito do 1º Centenário do nascimento de Benjamim Salgado e de Manuel Faria. É mais um contributo para avivar a memória de dois sacerdotes e artistas, cujo legado continua vivo e atual, não só pela oferta valiosíssima das suas obras, mas ainda pelo exemplo vivo, de modo particular do dr Manuel Ferreira de Faria, de esforço apostólico para proscrever dos espaços sagrados tantos ruídos e desgarradas e também outras intervenções na liturgia as quais, mesmo sob a capa de expressão artística, por vezes bem podem equiparar-se a gritantes profanações dos espaços sagrados. O livro em apreço vem, de facto, alertar para a necessidade premente de recorrer aos ensinamentos da Igreja no uso reto da música em todas as ações litúrgicas e outros encontros de oração. A persistência de tantos grupos e coros que cultivam o canto sagrado e litúrgico e a paciência responsável dos dirigentes a pastores das comunidades será sempre a forma mais indicada para fazer oposição à modas infestantes que, como tais, têm sempre os dias contados.
O concerto mariano de 14 de maio e a leitura da obra do padre Bártolo, meu queridíssimo condiscípulo e amigo, foram mesmo um privilégio para mim: associando-me, de algum modo a esta partilha, também contarei com M. Faria:

Senhora de azul vestida,
Da cor do mar em bonança:
Se em teus braços tens a Vida,
Em teus olhos mora a esp’rança.

Nós te saudamos, Maria,
Com toda a alma a cantar!
Ó Senhora da alegria!
Ó clara estrela do mar!

Lima de Carvalho

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