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FÁTIMA 1916 – 2016
Centenário da Aparição do Anjo de Portugal Portugal e muitos católicos do mundo inteiro aguardam ansiosamente o dia 13 de maio de 2017. É o centenário da primeira aparição da Virgem Maria, Nossa Senhora, aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, mas é também a data em que todos esperam a presença, no Altar do Mundo, do Sumo Pontífice, o Papa Francisco. Desde há alguns anos que a Reitoria do Santuário de Fátima e a Conferência Episcopal Portuguesa têm aplicado a mais terna solicitude para que esse Ano da Graça possa encontrar no coração dos crentes as melhores disposições para produzir frutos abundantes de conversão e santidade. Toda a logística do Santuário e da Cova da Iria e a Visita da Imagem Peregrina, que desde há um ano, tem percorrido os caminhos de Portugal, que quis ser batizado como Terra de Santa Maria, são dois bons exemplos disso mesmo. Há, todavia, na história das aparições um facto que, de modo algum, poderá andar esquecido: as aparições do Anjo de Portugal em 1916. Por três vezes, na primavera, no verão e outono daquele ano, o Sobrenatural “visitou” e “preparou” as três crianças do lugar de Aljustrel, da freguesia de Fátima, para o acolhimento da mensagem de que a própria Mãe de Deus os faria portadores. Na primeira aparição, no local chamado Loca do Cabeço, o mensageiro, que se apresentou como o Anjo da Paz, de joelhos, com a fronte até ao chão, segundo o depoimento de Lúcia, fez-lhes repetir por três vezes: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. “Orai assim, o Coração de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas” foi a recomendação deixada, a qual viria a ser reforçada na segunda aparição, esta junto ao poço do quintal da família da Lúcia. Aí, revelando-lhes que os Corações de Jesus e Maria tinham sobre eles desígnios de misericórdia, instou-os a oferecer ao Altíssimo orações e sacrifícios. E como, perguntaram os pastorinhos? – “De tudo o que puderdes oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”. Na última aparição, outra vez e na Loca do Cabeço, o Anjo de Portugal deixou suspensos no ar a hóstia e cálice que trazia e, em atitude de profunda adoração, rezou com eles: “Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”. Levantando-se, tomou, de novo, o cálice e a hóstia; esta deu-a à Lúcia e à Jacinta e Francisco o que o cálice continha, dizendo ao mesmo tempo: “tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”. Ficava, assim, definido o clima de oração, de reparação e de oferecimento de sacrifícios em que iria desenvolver-se a revelação vinda do Céu, no ano seguinte, desde maio a outubro. A missão do anjo de Portugal associada inseparavelmente às aparições na Cova da Iria, leva-nos a pensar justificadamente, como dizia o Papa Bento XVI, que a Revelação de Deus aos homens continua a acontecer. Ao meditar neste particular, a ação do Anjo de Portugal, diríamos, se assim nos fosse permitido, que estamos perante um quadro evangélico a recordar-nos, entre tantos outros, os quadros autênticos da Anunciação, da aparição do Anjo aos pastores na noite de Natal, o Anjo da consolação no Jardim das oliveiras e os anjos que autenticaram a ressurreição do Senhor. Caminhar para a celebração do Centenário das aparições ao ritmo das mensagens do Anjo de Portugal, mais do que não deixar em branco este centenário (1916 – 2016) é aproveitar este momento para, como os três pastorinhos, inocentes, pobres e humildes, crescer na fé e no amor.
Lima de Carvalho
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