Arquivo: Edição de 15-01-2016

SECÇÃO: Generalidades

COISAS SIMPLES, OU NÃO! (46)

Olhar e pensar a tempo

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Vamos entrar ou já entramos no novo ano de 2016.
Quem tem convicções e o Bem procura, tem de olhar o tempo passado, tem de pensar a tempo. E para que o tempo possa ser melhor tempo, em brevíssimo recado ao povo, pelo Papa Francisco, exortou-o com estas palavras: “Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti. Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo. Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente. Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade”.
Na verdade, a vida bem vivida, bem passada, são autênticos deveres que a vida e o tempo nos dão para fazer em casa. É imprescindível ter-se de ocupar bem o tempo. Se se reparar, quando se olha, já são oito da noite; quando sentimos perda de tempo já é sexta-feira; quando olhamos o fim do verão já é quase Natal; quando festejamos o Natal está pertíssimo o fim do ano; quando nos distraímos ou facilitamos com os outros já podemos ter perdido o amor da nossa vida e quando olhamos para os netos ou para os netos dos outros, já passaram (por nós) mais de cinquenta anos.
Olhar e pensar a tempo. Todo o homem tem obrigação de analisar em que gasta ou onde e como gastou o seu tempo, de forma que não pense que agora é tarde demais para ser reprovado.
Não pode o homem viver acusando-se de que “se me fosse dado mais tempo, outra oportunidade”, seguiria sempre em frente e jogava para o chão a casca dourada e inútil do tempo e, desditosamente pensar: “nunca deixaria de fazer algo de que gostasse devido à falta de tempo”.
No século XVII, o Padre António Fonseca, franciscano e poeta, acerca de olhar e pensar a tempo escreveu: “Deus pede estrita conta do tempo. E eu vou, do meu tempo dar-lhe conta, eu que gastei sem conta tanto tempo! O tempo foi-me dado e não fiz contas. Não quis fazer contas e hoje gostaria de fazer contas e não tenho tempo. Por isso vós, que tendes ainda tempo, não gasteis o vosso tempo em passatempos, pois aqueles que gastam tempo sem conta chorarão, como eu, por não ter tempo”. Assim sendo, neste tempo que o ano de 2016 fará parte de mais tempo na vida dos homens, há que ser-se cuidadoso com as cascas douradas e ôcas da vida, bem como do tempo gasto nos passatempos.

P.S. O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Por: Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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