Arquivo: Edição de 15-01-2016

SECÇÃO: Generalidades

ANO NOVO VIDA NOVA

Expresso assim, Ano Novo Vida Nova, é manifestamente o desejo mais puro e solidário que as pessoas poderão trocar-se entre si, especialmente na passagem de ano.
Na introdução à sua Mensagem para a celebração do XLIX Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco diz: Deus não é indiferente; importa-Lhe a humanidade!
Assumida esta verdade, imediatamente somos colocados perante um convite indeclinável se, de facto, queremos que o Ano entrante marque uma etapa de bem e felicidade na nossa vida, temos de levar a sério aquele desígnio do projeto de Amor e de Paz, que nos é oferecido.
É necessário, por isso, nunca perder de vista, a vocação de construtores, caracterizada pelo dom da liberdade, a que fomos chamado.
E isto implica também que, neste processo, tenhamos em consideração os compromissos naturais para com os outros e o ambiente, que é a nossa “casa comum”, como é dito pelo Papa Francisco em variadíssimas comunicações.
O mesmo Sumo Pontífice estabelece, como ressonância do lema Ano Novo Vida Nova, um princípio fundamental de comportamento: vence a indiferença e conquista a paz.
Ao ler atentamente o conteúdo deste apelo que constitui a sua mensagem de Ano Novo, sentimo-nos impelidos a pensar na educação da e para a liberdade, tema aliás, subjacente a outras mensagens desde a instituição do Dia Mundial da Paz pelo Papa Paulo VI.
A análise que o Papa Francisco faz na referida mensagem deste ano e sobre algumas formas de indiferença abre com esta asserção: “Não há dúvida de que o comportamento do indivíduo indiferente, de quem fecha o coração desinteressando-se dos outros, de quem fecha os olhos para não ver o que sucede ao seu redor ou se esquiva para não ser abalroado pelos problemas alheios, caracteriza uma tipologia humana bastante difundida e presente em cada época da história; mas, hoje em dia, superou decididamente o âmbito individual para assumir uma dimensão global, gerando o fenómeno da «globalização da indiferença».
Isto significa que o homem de hoje tende a ajeitar-se cada vez mais e até de formas despudoradas ao culto do egocentrismo. E o pior é que, deste envolvimento, resultam sempre feridas nos outros, quanto mais não seja, pelo desamor.
O velho adágio “abrir uma escola é fechar uma cadeia” deveria ser objeto de reflexão, sobretudo para os governantes, no sentido de investir mais em medidas profiláticas para enaltecer o valor da liberdade do que “pagar” a qualquer preço os desvarios e atentados às pessoas e bens dos outros e também ao património comum.
Ano Novo Vida Nova, ainda que, face a quadros tristes, impele-nos a alimentar a esperança. A palavra do Santo Padre na aludida mensagem deverá ser recolhida como certeza de que, mesmo sozinhos, poderemos contribuir para “fazer” um Ano bom: “Deste modo, também nós somos chamados a fazer do amor, da compaixão, da misericórdia e da solidariedade um verdadeiro programa de vida, um estilo de comportamento nas relações de uns com os outros. Isto requer a conversão do coração, isto é, que a graça de Deus transforme o nosso coração de pedra num coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de se abrir aos outros com autêntica solidariedade. Com efeito, esta é muito mais do que um «sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes». A solidariedade «é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos», porque a compaixão brota da fraternidade.”

Lima de Carvalho

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