Arquivo: Edição de 27-11-2015

SECÇÃO: Generalidades

In Memoriam

Faz hoje uma semana que a França, durante uma partida de futebol com a seleção da Alemanha, foi profundamente abalada com três ataques terroristas, quase em simultâneo, na cidade de Paris. Desde a manhã de sábado, que os diversos órgãos de comunicação social com editoriais, manchetes e reportagens, procuram envolver as populações em geral numa onda de repúdio e ideia generalizada também de focar e abater o principal inimigo: o autoproclamado Estado Islâmico. Muito perto de centena e meia de pessoas perderam a vida, além de cerca de três centenas de feridos, entre os quais largas dezenas em estado grave.
Os Estados europeus e também os Estados Unidos da América, com mais ou menos sensibilidade, estão a viver o hediondo acontecimento, como se a cada um em particular fosse infligido. E, ao sétimo dia, mais um abanão, de não pouca gravidade, pois perderam a vida dezenas de pessoas num hotel da capital do Mali, perpretado pela mesma horda satânica. É muito provável que este atentado não venha a ter o mesmo mediatismo como o do dia 13 (sexta feira) de novembro, porque, por variadíssimas razões, pouco interesse despertará a nível planetário. O que não deixará de ser injusto.
No meio de tanta dor, angústia e perplexidade, geraram-se movimentos fortes de solidariedade, significando, manifestamente, que as comunidades e nações têm espírito de Corpo. Que, quanto a nós não deveria esmorecer nem apagar-se como as rimas de flores e velas da saudade.
Tenho diante de mim um exemplar do Sumário Executivo da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), sob o tema Perseguidos e Esquecidos. Chega-se à triste conclusão de que à volta de 150 mil cristãos morrem todos os anos por causa da sua fé. “Dos treze países onde a situação dos cristãos piorou, lê-se no relatório, nove presenciaram uma clara violência islâmica anti-cristã: Indonésia, Irão, Iraque, Quénia, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Síria”. Porque não mexem tanto connosco estas situações, por que é que a comunicação social mal cheira a estas realidades?
Com amargura, diz o Papa Francisco, “vemos hoje os nossos irmãos perseguidos, decapitados e crucificados por causa da sua fé em Jesus, perante os nossos olhos e muitas vezes com o nosso silêncio cúmplice” (BBC News 04.04.2015).

Outro acontecimento em cima da hora, o qual nos diz diretamente respeito, é a rançosa questão do aborto, certamente não menos execrável do que o horror e a insegurança atrás referidos. Bastou surgir uma porta aberta a uma maioria parlamentar, no mínimo muito polémica, para um dos partidos, que a compõem, propor a revogação da alteração recente à designada lei da interrupção voluntária da gravidez. Para isentar da taxa moderadora dos 7,75 euros que se exigem a qualquer cidadão na marcação de consulta, ainda que seja para desencravar uma unha e do acompanhamento psicológico, que visava ajudar a ponderar perante problema tão grave, que é colocar um ser vivo e indefeso entre o continuar a viver ou passar pelo massacre violento, horroroso e hediondo, que é o aborto. E pensarmos nós que há tantos psicólogos e psicólogas sem emprego que até se “obrigam” as instituições a solicitar serviços, por vezes em situações em que a melhor ajuda seria deixar as pessoas em paz! Para tais partidos e algum “submarino” de outro que só contribui para o descrédito dos grupos que representa, perante o facto de nos últimos sete anos se terem feito à volta de 100.000 abortos, foi esta a questão prioritária da presente legislatura. Se não fosse dramática, compararíamos esta vil surtida às discussões sobre o sexo dos anjos que mais interessavam os teólogos em Constantinopla, quando, no séc XV, o Império Romano estava em queda iminente diante dos turcos otomanos.

A poucas horas da celebração da solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo , Rei do Universo, apetece lançar um grito de alerta e também de esperança a todos os portugueses e, porque não, aos próprios governantes, para contemplarem o Monumento a Cristo Rei, memorizando todo o simbolismo que ele marca – gesto de gratidão dos portugueses por termos sido livres da participação na II Guerra Mundial!
E ainda com muita humildade pensar no dom inapreciável da vida, recorrendo aos documentos do magistério da Igreja, especialmente à encíclica Evangelho da Vida do Santo Padre João Paulo II. É isto mesmo, que sentidamente e com devoção, eu faço.

Nossa Senhora da Oliveira, 20 de novembro de 2015
Lima de Carvalho

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