Arquivo: Edição de 30-10-2015

SECÇÃO: Generalidades

Egipto: Impossível esquecer o dia 12 de Fevereiro
As últimas palavras

Estavam todos ajoelhados junto à água, numa praia da Líbia. Foram todos degolados apenas por serem cristãos. O mundo viu, chocado, as imagens deste crime bárbaro. Numa pequena aldeia do Egipto ainda hoje se chora a memória destes filhos da terra, mas é com orgulho que falam deles: São mártires, “agora estão no Céu”.
Foi em Fevereiro. Ninguém esquece o dia em que a notícia chegou, como um vendaval. Houve gritos e lágrimas que ainda não secaram. Nesse dia 12, a aldeia ficou enlutada para sempre. Treze dos filhos da terra, da pequena aldeia de El-Aour, foram assassinados numa praia da Líbia. Caminhavam dobrados junto à água até que foram forçados a ajoelhar. Antes de serem degolados, naqueles instantes que sabiam ser os últimos, alguns destes cristãos egípcios estavam a rezar. Há um vídeo que mostra isso. No instante em que a faca começa a deixar uma linha vermelha de sangue, os lábios de Yousef estão a dizer “Jesus”, como quem entrega todo o seu ser, toda a sua vida, nas mãos de Deus.

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O irmão de Yousef, Malak Shoukry, quando viu o filme pela primeira vez ficou chocado. Aqueles 13 homens tinham sido decapitados apenas por serem cristãos. Depois, apercebeu-se do enorme testemunho de fé que acabara de presenciar. Assassinaram Yousef por ser cristão. Morreu como mártir. “Estou orgulhoso dele”, diz agora. “É um mártir de Cristo.”
Terra de ninguém
A aldeia de El-Aour fica numa região muito pobre. Aqueles 13 homens decapitados estavam na Líbia a trabalhar. Abraham Bashr deveria ter sido o décimo quarto homem da aldeia a ser decapitado. Quando os jihadistas entraram na casa onde todos viviam, conseguiu esconder-se. Está vivo mas a sua vida, de alguma forma também acabou naquele dia. “Ouvi-os a perguntar pelos cristãos. Eles vieram só para raptar os cristãos. Estava cheio de medo.” Há dias, a Fundação AIS esteve na aldeia de El-Aour. Por lá, continua a sombra desse dia 12 de Fevereiro. Não deverá haver dor maior do que uma mãe perder um filho. Uma dessas mães apenas reclama o corpo do seu filho de volta. Já se resignou com tudo o resto. Só quer o corpo do filho para o enterrar, para lhe fazer o funeral. Para poder chorá-lo. “Se eles o deitaram ao mar, quero-o de volta. Se o queimaram, quero o seu pó.” Maria Lozano, da Fundação AIS, esteve nesta aldeia e encontrou-se com alguns dos filhos destes cristãos decapitados na Líbia. Agora são órfãos, mas dizem-se orgulhosos pelo facto de os seus pais nunca terem renegado a fé em Cristo. “Claro que estou triste, mas estou também orgulhoso porque o meu pai foi morto por causa da sua fé. Ele foi um exemplo para mim e para toda a Igreja.” Um destes jovens, já adolescente, acrescentou ainda: “Agora, ele está no Céu!” Nesta pobre aldeia, estes cristãos asseguram que não há nada mais valioso do que a fé em Cristo. “Perder a vida, sim, podemos perdê-la: mas perder a fé, nunca!”

Paulo Aido (AIS)

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