Arquivo: Edição de 16-10-2015

SECÇÃO: Informação Religiosa

18 de outubro de 2015 | Dia Mundial das Missões
O discípulo só pode ser missionário

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Ao aprofundarmos o nosso compromisso missionário como discípulos de Cristo, contamos com a ajuda do incontornável magistério do papa Francisco que nos lembra: «Em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar» (Evangelii Gaudium, 119). Nesta reafirmação da doutrina conciliar, centramo-nos no batismo que faz de cada um de nós discípulo missionário. Como sublinha o Santo Padre, pela dignidade batismal cada Filho de Deus e discípulo de Jesus é chamado a ser sujeito ativo de evangelização: «Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos “discípulos” e “missionários”, mas sempre que somos “discípulos missionários”» (Evangelii Gaudium, 120).
A Fé vivida exige empenho missionário pois, como recordamos, o discípulo é por natureza missionário e só é missionário quem permanece na fidelidade ao Senhor. To- dos os cristãos são chamados à missão e o seu exercício acontece de vários modos, conforme a vocação e os carismas de cada um. Nascem do mandato missionário: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20), que os primeiros discípulos, «logo depois de terem conhecido o olhar de Jesus, saíram proclamando cheios de alegria “Encontramos o Messias”» (Jo 1, 41). Também mui- tos samaritanos acreditaram em Jesus «devido às palavras da mulher» (Jo 4, 39). O próprio Paulo de Tarso, após o encontro com o Ressuscitado na estrada de Damasco, «começou imediatamente a proclamar (...) que Jesus é o Filho de Deus» (At 9,20). Com a sua conversão, o Apóstolo dos Gentios percebeu de imediato que o encontro com Cristo implica, necessariamente, fazer de cada crente um missionário; a gratuidade de Deus para com ele, tornou-o devedor do anúncio do Evangelho a todos os irmãos ainda privados de tão extraordinária graça.
Pela experiência pessoal e pastoral, os Padres da Igreja compreenderam que «o homem não nasce cristão, mas faz-se cristão» (Tertuliano, in Apologia, cap. XVIII), por isso se aplicavam incansavelmente a ensinar «tudo quanto o Senhor tinha mandado», para que através da contínua conversão, cada membro da comunidade, «Corpo de Cristo», permanecesse discípulo amadurecido na sua identificação com Ele e assim O testemunhasse até ao martírio. Sabemos que a personalidade cristã vai-se edificando a partir do acolhi- mento da palavra de Deus; da nossa disponibilidade interior para que a Palavra «viva e eficaz» nos molde como barro na mão do oleiro e nos trate como o sábio agricultor, separando em nós o trigo do joio. Depois de acolhida, a Palavra rezada e contemplada ilumina os nossos critérios para que os dis- cernimentos aconteçam segundo os valores e critérios da Fé. É assim que — da Palavra entendida, meditada, interioriza- da, rezada e compartilhada — chegaremos ao testemunho cristão de vida e à ação missionária. Esta deverá ser natural, espontânea e transparente, acontecendo de modo coerente nos ambientes onde quotidianamente decorre a nossa vida, a começar pela família, pela vizinhança, pelos contextos culturais e socioprofissionais, no exercício da cidadania nos diversos contextos do mundo e, porventura, nas missões especí-ficas sugeridas ou explicitamente pedidas pela Igreja.
Esta dinâmica da fé tem as suas exigências e pressupostos. Sabemos que a complexidade do mundo global e a exigência de muitas situações humanas pedem aos cristãos formação contínua. Não é possível improvisar respostas competentes e eficazes sem preparação específica. Não é possível viver a Fé sem uma contínua formação que promova, sobretudo, a conversão. Importa que todos os cristãos percebam os apelos dos sinais dos tempos e respondam com o seu compromisso neste apelo do Senhor. Nada se consegue sem a reserva de tempo para o realizar. As comunidades devem propor diversas iniciativas de acordo com a necessidade e disponibilidade dos seus cristãos e estes são convidados a dar prioridade a estas iniciativas. Trata-se, ao fim e ao cabo, de formar para a missão. Com persistência conseguiremos renascer pela Sua Palavra abriremos toda a vida à ação do Espírito Santo em nós, e seremos à imagem do «Sim» da Virgem Maria, a Estrela da Nova Evangelização, humildes servos ao serviço dos irmãos.

Nota Pastoral
“Missão sem Fronteiras”
D. Jorge Ortiga, 5/10/2015

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