Arquivo: Edição de 26-06-2015

SECÇÃO: Região

Guimarães e o amor ao Papa

Desde os alvores da Nacionalidade que o percurso da nossa história está marcado por uma estreita e intensa ligação ao Papa, sinal visível de unidade e caridade da Igreja. Especialmente, a partir da bula “Manifestis probatum” (23 de maio de 1179) em que Alexandre III concede e confirma a D. Afonso Henriques o excelso domínio do reino de Portugal, esta caraterística, não obstante algumas crises, mais ou menos passageiras, tem sido nota assinalável de maturidade cristã. Por isso bem assenta ao nosso querido Portugal a honra que ostenta, sobretudo a partir de D. João V, de Nação Fidelíssima.
A Guimarães, por ser o Berço da Nacionalidade e ainda por desígnios especiais e também por factos marcantes da História Moderna e Contemporânea, cabem os maiores louvores e preito de homenagem. Segundo alguns historiadores, Guimarães foi berço do grande Papa São Dâmaso e a tradição conserva bem viva esta memória na toponímia da cidade e na igreja que lhe foi dedicada, construída no sec. XVII e trasladada nos anos sessenta do século passado para o topo norte do Campo de São Mamede; em 21 de maio de 1967 passou a ser a sede da novel paróquia de São Dâmaso. Outra figura notável foi Pedro Hispano (1215-1277), Papa com o nome do João XXI, foi dom prior da Colegiada de Guimarães; a sua memória é bem lembrada também na toponímia da cidade.
Estes dados, que justamente nos orgulham, em nada diminuem, antes pelo contrário, o fervor para com o primeiro Papa, o Príncipe dos Apóstolos São Pedro. Tanto assim que três freguesias do concelho, Azurém, Gominhães e Polvoreira o elegeram como padroeiro e, há quatrocentos anos, explodiu um sentimento incontido de veneração com a criação da Irmandade de São Pedro e, também com início no século XVII, mesmo no centro da cidade, a igreja, bem depressa elevada à categoria de basílica (1751) pelo Papa Bento XIV.
Acontecimentos marcantes da história da Igreja nos dois últimos séculos imortalizam, em Guimarães, os pontífices protagonistas: beato Pio IX lá está, altaneiro, no ponto mais alto da serra de Santa Catarina, na Penha, como símbolo do amor e gratidão do povo deste Região à Imaculada Conceição, cujo dogma ele definiu (8-12-1854).
Um bairro da cidade construído pelo Município em meados do século passado recorda, com o seu nome, o grande Papa das questões sociais, Leão XIII (1810-1903). Ainda na Penha, dentro do Santuário, na nave do lado do evangelho a imagem de São Pio X (1835-1914), a atestar o fervor eucarístico de Guimarães, ele que ficará para sempre conhecido como Papa da Eucaristia. O beato Paulo VI 1897-1978), continuador do concílio Vaticano II e executor das constituições e decretos dele emanados, foi o primeiro a visitar Portugal no cinquentenário das Aparições (13-05-1967); em Guimarães a sua memória está ligada a ruas e instituições de caráter diverso. Do mesmo modo, o nome de São João Paulo II(18-05-1920-02-04-2005) vai sendo adotado para definir lugares e centros de vida de algumas comunidades.
Ao comemorar tão grata efeméride de quatrocentos anos da fundação, a Irmandade de S. Pedro do Toural, vem, certamente, avivar memórias e iluminar caminhos para uma veneração crescente da pessoa do Papa, que o mesmo é dizer, à doutrina perene e incomparável do evangelho.
E Guimarães acumulará cada vez mais créditos para ostentar garbosamente a glória de terra que ama o Papa.

Lima de Carvalho

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