Arquivo: Edição de 14-11-2014

SECÇÃO: Generalidades

O(s) tesouro(s) da Igreja

À primeira vista, o assunto do tema em epígrafe poderá conduzir-nos a uma visão demasiado temporal e materialista da Igreja. Como sociedade perfeita que é, tendo por missão a salvação dos homens, desde logo ela necessita de meios humanos e institucionais para o cumprimento da tríplice ação, profética, litúrgica e socio-caritativa; daí perceber-se que também as pessoas e instituições que suportam a responsabilidade de desenvolver esta vocação, hierarquia e até outros cristãos mais empenhados, se enquadrem inevitavelmente nos esquemas de posse de bens, incluindo dinheiro e depósitos bancários.
Todavia o propósito desta breve reflexão, pela característica do mês de novembro ser considerado por parte dos fiéis cristãos, crentes e devotos, como mês das Almas do purgatório, coloca-nos perante a consideração do tesouro singular e de todo incomparável e único, o qual constitui em plenitude toda a graça da redenção e salvação. “Os méritos de Jesus, Divino Redentor do género humano, que têm valor infinito, e também os méritos da bem-aventurada Virgem Maria e de todos os Santos, que procedem superabundantemente dos méritos de Cristo, são um tesouro inesgotável que o Senhor confiou à sua Igreja, a fim de que sejam aplicados para remissão dos pecados e suas consequências, em virtude do poder de ligar e desligar que o próprio Fundador da Igreja conferiu a Pedro e aos outros Apóstolos e, através destes, aos seus sucessores, os Sumos Pontífices e Bispos” (Decreto do Manual das Indulgências).
Na correspondência a este desígnio sobrenatural de graça e misericórdia, isto é enveredando pelo caminho da santidade, aquele tesouro, como se fora lícito dizer que aumenta, revela, no exercício da fé vivida e vivenciada pela prática das boas obras e na luta contra as forças do mal, todo o encanto e recurso irrecusável para a posse do Supremo Bem.
Sendo assim, a sedução pela posse de quaisquer bens materiais não deverá ter outra explicação senão a de permitir que todos os homens possam compreender que têm convite e caminho aberto para se tornarem verdadeiramente felizes, já mesmo dentro dos limites, por vezes naturalmente tão sombrios, da sua existência.
Aliás, a história e experiência de vida devem ser tidas como aviso sério e constante para dar sempre toda a prioridade, na procura e aplicação dos bens e das riquezas, à edificação do Amor. Só assim é que se contribui para o aumento do tesouro que sendo, já de si, de valor infinito garante créditos verdadeiramente seguros e inalienáveis. Por outras palavras, não cair na insensatez de esperar que os desvios da sociedade venham apoderar-se do produto de tantas energias e trabalhos gastos pela ambição do ter.
A pobreza evangélica, tão acentuada pela voz e testemunho do Papa Francisco, deverá ser aceite como norma orientadora e luz para experimentar a aplicação da riqueza do verdadeiro Tesouro.

Mons. José Maria

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