Arquivo: Edição de 26-09-2014

SECÇÃO: Generalidades

Regresso às aulas | Pausa para refletir

Ao contrário do que acontecia há dezenas de anos atrás, o início do ano letivo aconteceu quase sem ser notado no movimento e no ambiente da via pública. Era lindo, em épocas cada vez mias distantes, ver crianças e adolescentes aos grupos despertando a atenção das pessoas com o seu andar apressado e arrítmico, pautado também de hilariante vozearia a caminho e na vinda das aulas. Hoje, é muito diferente: aquela realidade foi substituída por uma convergência, às vezes caótica, de viaturas, particulares ou de aluguer, nas proximidades dos estabelecimentos de ensino. São os sinais dos tempos, em que sobressai a necessidade de segurança tanto viária como de defesa contra criminosos e outros predadores dos bens e da dignidade, sobretudo das crianças.
Durante cerca de quatro décadas, a partir de 1940, o País foi enxameado de unidades de ensino primário, de uma ou mais salas, uma forma sustentada de ganhar terreno à triste realidade que vinha de longe e que a primeira República pouco alterou. Situadas em pontos estratégicos das freguesias, era a educação que ia ao encontro das famílias. A Educação começou, assim, a evidenciar-se como uma das prioridades dos governos.
Naturalmente surgiram novos modelos de ensino e também dos espaços físicos o que levou á absorção continuada de muitas daquelas unidades. Como resultado desta tendência é elucidativo o número das que deixaram de funcionar desde 2002: 6500 antigas escolas primárias; só neste ano letivo de 2014/2015 foram fechadas 311.
Infelizmente não são apenas as condições de dignidade dos espaços, as exigências pedagógicas e o melhor ordenamento do pessoal docente e auxiliar que estão na base do triste fenómeno do desaparecimento dos tão queridos “santuários” locais. É a queda terrível da baixa de natalidade que obscurece a vida e cala a alegria de populações inteiras. Em 2013 nasceram cerca de 80.000 crianças, menos 40.000 do que no ano 2000. Este é verdadeiramente um problema incontornável que, muito embora seja muito complicado, tem de merecer o apreço devido para se encontrar uma solução. No imediato se, as pessoas que mais sentem na pela as implicações do problema são os milhares de professores que as faculdades e institutos superiores têm debitado nos últimos anos; a esperança de encontrar o posto de trabalho tão ansiado é contrariada ainda pelas postos de trabalho que vão desparecendo.
Neste ano letivo 2014/2015 foram matriculados 1.696.696 alunos, menos 13.379 que o ano passado.
O nível mais atingido pelo decréscimo foi o ensino pré-escolar e o 1º ciclo do ensino básico; só no 2º e 3º ciclos é que se verificou aumento.
A natalidade em Portugal, que em 2013 se situou em 1,36 por mulher em idade fértil, colocou o nosso país em quarto lugar da mais baixa natalidade da União Europeia. Não há formas mágicas para resolver esta gravíssima situação. MUDANÇA DE MENTALIDADE impõe-se: individual e coletiva. E não será sensato disfarçar a importância do fator religioso e do magistério da Igreja.
De modo descarado e sob proteção legal, aumentam os casos de união de facto (forma eufemística para designar mancebia) que, à partida, restringe ou adia o nascimento de algum filho. O uso indiscriminado e imoral de contracetivos, em muitos casos a partir da adolescência, juntamente com a licenciosidade generalizada de costumes que afeta a sociedade a começar pela família, tudo isto deixou de “mexer” na consciência e ameaça formar barreira aos preceitos e princípios defendidos pela Igreja. Paralelamente a estas práticas redutoras daquilo que é o verdadeiro amor e a vocação da família, o crime abominável do aborto. As estatísticas falam de 100.000 após o referendo de há sete anos; em 2013 foram contabilizados 17.414. Já se imaginou o número de turmas que estes seres humanos indefesos e o número incalculável de crianças cuja geração foi evitada pelo egoísmo das pessoas, a redundar em postos de trabalho e, mais do que isso, numa era de esperança para a nossa Nação? A mudança de mentalidade exige uma “lavagem ao cérebro” porventura mais enérgica do que a que vai acontecendo ditada por vozes e modelos tão aliciantes e anestesiantes, que até parecem encaminhar para a meta da felicidade, a qual, por tais vias, será sempre uma miragem utópica.
Ao começar o novo ano escolar que bom seria aceitar parar um pouco para refletir sobre tudo isto e muito mais. Para que seja, de verdade, uma caminhada de esperança.

Lima de Carvalho

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