Arquivo: Edição de 12-09-2014

SECÇÃO: Informação Religiosa

Peregrinação à Penha

Pela 121.ª vez, o arciprestado de Guimarães e Vizela e regiões limítrofes vai subir a Montanha da Penha para um reencontro vivo com memórias do passado para transformar as realidades presentes em perspectiva de Esperança. Para um mundo melhor.
Olhar para a Penha é sempre um belo pretexto para contemplar um quadro de beleza natural feito pulmão verde que emoldura e confere outra rara beleza que é o caprichoso aglomerado de penedos e solo rochoso. Mas, pelo menos desde há 312 anos que na serra de Santa Catarina se desencadeia um processo de expressão viva de fé. Tudo começou pela vinda das bandas de Itália do ermitão Guilherme Marino, em 1702, à procura de condições ideais para elevação espiritual, desde logo, cuidou de entronizar uma imagem da Virgem Maria sob a invocação de Nossa Senhora da Penha.
Três décadas depois chegou um grupo de Carmelitas Calçados chefiados por Frei Joaquim de Santo Elias, o qual se constituiu em comunidade e dedicou a gruta ermida a Nossa Senhora do Carmo, colocando lá também a imagem de Santo Elias, o santo do sono.
Acontecimento de assinalável prova de vitalidade religiosa da Penha nos tempos seguintes foi a instituição da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha, cujos estatutos foram aprovados em março de 1872. Então, tiveram início as romarias com o duplo caráter, religioso e profano, até que em 8 de setembro de 1893 aconteceu a 1ª Peregrinação à Penha. E esta surgiu como epílogo da explosão de fé mariana desencadeada a partir da definição dogmática da Imaculada Conceição (8.12.1854) por Pio IX e as aparições de Lourdes em 1858. Efetivamente, a 17 de julho de 1892 foi colocada na gruta com o mesmo nome, a imagem de Nossa Senhora de Lurdes e, no ano seguinte, a 8 de setembro de 1893, foi inaugurada a estátua de Pio IX, o imortal Papa da Imaculada que veio a ser beatificado por S. João Paulo II, a 3 de setembro do ano 2000. Tanto a imagem de Nossa Senhora como a estátua de Pio IX foram obra da magnanimidade de Fernando de Castro Abreu Magalhães, cidadão ilustre nascido na freguesia de S. Nicolau, Cabeceiras de Basto.
O 2.º domingo de setembro, data certa ou mais próxima da festa litúrgica da Natividade da Virgem Santa Maria, é o dia da peregrinação à Penha.

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O símbolo maior da fé e devoção é o santuário que germinou como forte desejo emanado do Congresso Eucarístico Nacional de Guimarães, em 1927. Após várias vicissitudes, entre as quais um pavoroso incêndio, já em fase adiantada de construção, ele foi benzido a 14 de setembro de 1947 pelo cardeal Gonçalves Cerejeira.
Naquela obra singular do arquiteto Marques da Silva ressaltam os motivos alusivos à Eucaristia, razão porque, durante dezenas de anos, foi denominado Santuário Eucarístico da Penha. No seu interior foi colocada a imagem de São Paio X, o Papa da Eucaristia, pouco tempo após a sua beatificação por Pio XII em 1951.
Por Maria a Jesus será certamente a leitura mais correta do espaço sagrado da Penha; juntamente com o carinho dos vimaranenses ao Vigário de Cristo manifesto nas imagens dos Papas  Pio IX e Pio X.

Mons. José Maria


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