Arquivo: Edição de 27-06-2014

SECÇÃO: Generalidades

Opiniões que Valem
Quem disse? (71)

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Não é nas escolas que se aprende a ser escritor. Aprende-se nas esquinas das ruas ou dos bairros, nas aldeias do interior com suas mansardas ou nas zonas de mansões habitacionais. Nestes locais, obtêm-se os melhores remédios para as úlceras e fazem-se escritores.

O poeta sente, na sua alma e no seu sangue, o poema a crescer e a ficar adulto para, finalmente, o ver a flutuar à tona de uma folha de papel.

Escritor que vende pela força das máquinas económicas e dos amigos influentes, normalmente, são “jornaleiros” - muito menos jornalistas - de coisas velhas, com linguagem de segunda ou de terceira e pessoas difíceis de suportar.

Há escritores que sabem mais de bons pratos e de bons néctares, do que da vida, do trabalho e dos problemas, já com teias de aranha, daqueles que os rodeiam.

Há quem muito escreva. Tantos, não passam de uns contagiados das letras e daquilo que não sabem contar, embora muito vendam. A esses contagiados, basta-lhes terem ou serem “gente da televisão”.

Escritor de gema e de valor é aquele que não se apercebe ou não entende, porque canta e encanta com seus escritos.

Onde existir cultura e liberdade, os melhores líderes são os que fazem parte de um governo que governe o menos possível. E os melhores moralistas são aqueles que pouco ou nada proíbem, apontando simplesmente caminhos.

Há homens que são loucos e, outros, são filhos da tempestade. Uns, pensam que tudo podem e outros, que tudo têm o direito de ter. Absoluto engano: os que podem alguma coisa, podem o que Deus deixa; os que querem ter, só trabalhando. Caso contrário, só terão as migalhas que caem da mesa dos avarentos.

Fala-se na paz e a minha aldeia não a tem, porque passou a vila; a minha cidade não a tem, porque passou a metrópole; o meu país não tem paz, porque passou a ser da união europeia. Venha a paz e evitem-nos a vida mecânica e fatalista.

Nos Tribunais, os homens fazem julgamentos e aplicam as penas a quem as merece. Tantas vezes nos julgamentos há falhas, dúvidas e injustiças. É o homem, pois claro! Quem julga com perfeição é a Verdade. Logo, também os julgadores terrenos não passam de homens sujeitos às penas.

Neste país enfadonho, de tanta miséria social e hipocrisia, há quem chame criminosos aos matadores de touros na arena. E aos que defendem o aborto e aos que decretam a liberdade de abortar, chamam-lhes democratas e progressistas. Foi pena, para tais defensores e decretantes, que não tivessem tido umas “mães libertadas”, que lhes fechassem as pernas ao nascer.

Fazer vidas, proteger e poupar vidas, é ter hipóteses de ganhar vidas. Perder vidas por violência, por descuido ou por egoísmo, é crime contra toda a humanidade. Sendo assim, que nos falem os responsáveis militares do 25 de Abril em Portugal, bem como meia dúzia de civis, das trezentas mil vidas perdidas do povo de Timor-Leste.

Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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