Arquivo: Edição de 13-06-2014

SECÇÃO: Informação Religiosa

Comemoração da batalha de S. Mamede

interrupção da componente religiosa
Há dezenas de anos atrás, a comemoração da batalha de S. Mamede – 24 de junho de 1128 – fazia-se especialmente com a celebração solene da Eucaristia de Ação de Graças e uma sessão solene presidida algumas vezes pelo Chefe de Estado e sempre por algum membro do Governo acompanhado de altas autoridades do Estado e da região e também do Arcebispo Primaz de Braga. As mesmas comemorações ganharam novo fôlego após a consolidação dos órgãos do Estado e do poder autárquico decorrentes da Revolução de abril; o ponto mais alto ficou marcado com o 24 de junho de 1979, no dia a seguir ao encerramento do Congresso Histórico de Guimarães e sua Colegiada (I Congresso Histórico de Guimarães), de 19 a 23 de junho de 1979, com a missa solene na Colina Sagrada, bem perto do Paço dos Duques de Bragança, presidida pelo saudoso Arcebispo Primaz, D. Eurico Dias Nogueira. A partir de então, Guimarães continuou a vestir-se de festa para viver da melhor maneira o seu feriado municipal. Ano após ano até ao presente, a Câmara Municipal de Guimarães tem aproveitado a efeméride para honrar cidadãos e instituições pelo contributo prestado à Comunidade e também para apresentar e salientar os feitos assinaláveis da sua ação no decurso de cada ano. E com justificado orgulho, há sensivelmente três décadas, começou a partilhar estes motivos de alegria com representantes de cidades irmãs doutros países, através do processo de geminação. Mesmo com programas apertados, com realizações do nascente a poente do concelho, da região do Ave ao Vizela, por volta do meio-dia, o ponto de encontro era a Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira para a celebração de Ação de Graças, na qual ressaltava o apreço, nomeadamente por parte dos delegados das cidades geminadas.
Nada fazia prever que fosse precisamente em 2012, ano memorável de Guimarães Capital Europeia da Cultura que fosse quebrada a tradição, quanto a nós, verdadeiro legado, excluindo-se a componente religiosa das comemorações da batalha de S. Mamede.
Quer dizer, a tradição religiosa que emerge das nossas origens como Nação independente foi postergada, subestimando também um inegável dado cultural.
Foram invocados, na ocasião, constrangimentos financeiros (crise) e também dificuldades de processamento contabilístico, mas foi esclarecido também que, nem por isso, o Município abandonasse a iniciativa pois que não seria o valor irrisório em causa que afetaria a grande alegria que a Colegiada tinha em participar, honrando, da melhor maneira, os nossos maiores.
E era, por isto mesmo, que se pedia à Câmara Municipal que tomasse a iniciativa, ao menos com um porta-bandeira.
A mesma atitude e com as mesmas razões aconteceu logo a seguir com a comemoração da batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385). Aliás, tudo o que envolveu este acontecimento histórico sem igual, designadamente e sobretudo a ligação do rei D. João I com o culto a Nossa Senhora da Oliveira  e Guimarães jamais se compadecerá com golpe tão incompreensível por quem tem sido oficialmente constituído como defensor e promotor da cultura.
Mais do que um desabafo, que o é na verdade, para não dizer indignação, fica a consolação da certeza de que há vimaranenses e muitos outros portugueses que acreditam, trabalham e rezam para que se reconheça que é necessário e urgente inverter o caminho, porque “se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigiam as sentinelas” (Salmo 127)

Mons José Maria

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