Arquivo: Edição de 24-04-2014

SECÇÃO: Informação Religiosa

O Caminho da Misericórdia

Ao longo da história do Cristianismo, independentemente das tendências para a heresia ou até para situações de apostasia, foram aparecendo várias leituras e práticas na vivência daquilo que lhe é essencial: o Amor. Teólogos, exegetas e autores de vida espiritual têm-se encarregado de produzir obras de estudo e reflexão para exprimir essa oferta gratuita de Deus que é o Amor, consubstanciado na pessoa de Jesus Cristo, o Redentor do homem. É, pois, na contemplação do amor infinito do Verbo Encarnado que se encontra o segredo da relação entre Deus e o homem. E, como tal, a resposta ou correspondência deste para com o seu Salvador e Redentor.
Nos dias de hoje, vai-se acentuando o conceito, a ideia que melhor traduz a vida em Deus, a fórmula com mais capacidade de testemunhar esta mesma vida. É a Misericórdia, como torrente de vida e Amor, que mais sensivelmente toca o crente para imergir em Deus e encontrar a resposta para alimentar a reciprocidade do Amor, isto é, para anunciar e viver na linha da misericórdia.
“Como eu fiz, deveis vós fazer também… dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei”, Jo 13, 34.
Esta prova de amor não poderá ser considerada apenas como uma forma preparada por Jesus para, na despedida, explicar a amizade profunda que tinha para com os discípulos; era sobretudo uma exigência em relação a estes, de perpetuar o Amor numa dinâmica de ações concretas de misericórdia para a consumação da unidade e estilo de verdadeira família.
A partir daqui, jamais poderemos dar por concluído o projeto que dimana daquele mandamento novo. A prática de um sem-número de virtudes, tais como compreensão, disponibilidade, tolerância, perdão, solidariedade e tantas e tantas outras reclamadas pelas diversas características no relacionamento pessoal, familiar, profissional e social, é um desafio indeclinável. Não só para o crente, mas mesmo como exigência e marca de verdadeira humanidade.
Na liturgia pascal o hino à Misericórdia é uma constante. No ano 2000, João Paulo II instituiu o Domingo da Misericórdia, o 2º domingo da Páscoa. E nós não duvidamos que o caminho por ele realçado seja o meio eficaz para estabelecer no mundo o reinado do amor. E, vá lá, da minha parte, da parte de cada um de nós, não será difícil partir alguma pedra, dar algum passo em frente, para que a misericórdia ganhe os direitos de cidadania que lhe competem, para bem da humanidade.

Lima de Carvalho

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